MADRID, 16 ago. (EUROPA PRESS) -
O presidente russo, Vladimir Putin, propôs manter toda a região de Donbas, que representa quase todo o leste da Ucrânia, em troca da interrupção de sua ofensiva na linha de frente sul e do fim de novos ataques no resto do país como uma das condições para aceitar um possível acordo de paz com o governo ucraniano.
De acordo com fontes próximas à cúpula que Putin realizou na última sexta-feira no Alasca com o presidente dos EUA, Donald Trump, assim que as forças ucranianas se retirassem da região - que inclui as províncias de Donetsk e Lugansk, parcialmente incorporadas a Moscou - o presidente russo ordenaria a interrupção imediata da ofensiva nas frentes de Zaporiyia e Kherson, no sul do país, informam o Financial Times, a rede americana NBC e a agência Bloomberg.
As mesmas fontes indicam que Putin teria prometido suspender quaisquer outros ataques à Ucrânia, como os bombardeios com drones e mísseis de cruzeiro que ele realiza rotineiramente contra o centro e o oeste do país.
Putin transmitiu essa mensagem a Trump ontem, que passou as horas seguintes comunicando a oferta aos líderes europeus, no que o presidente russo, ainda de acordo com essas fontes, entende como uma "concessão territorial". No entanto, o presidente também advertiu seu interlocutor norte-americano de que ele não abandonou o restante das chamadas condições "fundamentais" para pôr um fim definitivo ao conflito.
Moscou, vale lembrar, exige que a Ucrânia assuma um status permanente de potência não nuclear, longe da OTAN, com garantias totais para a comunidade de língua russa e, acima de tudo, o reconhecimento do que Moscou chama de "nova realidade territorial" representada nos territórios ucranianos que incorporou, boa parte deles no Donbas, bem como na Crimeia.
É importante lembrar que as forças russas controlam aproximadamente 70% de Donetsk, mas a cadeia de cidades no oeste da região permanece sob controle ucraniano e é um cinturão defensivo crucial, cuja rendição deixaria o país extremamente vulnerável no caso de uma nova ofensiva. No que diz respeito a Lugansk, as forças russas controlam quase toda a região, com exceção de uma pequena parte no extremo oeste.
Garantias de segurança" foi outro tema de destaque na cúpula do Alasca. Nesse sentido, Trump disse aos líderes europeus que Putin está, em princípio, disposto a aceitar algum tipo de solução internacional para proteger a Ucrânia contra uma nova ofensiva russa, desde que não envolva a presença da OTAN.
Esse cenário é consistente com uma estimativa que Trump fez na última sexta-feira antes da cúpula do Alasca. Em comentários à mídia dos EUA durante o voo para Anchorage, o presidente dos EUA contemplou a possibilidade de implantar uma força multinacional "com a Europa e outros países", mas nunca "na forma da OTAN", uma opção que o presidente dos EUA já descartou sumariamente. "Algumas coisas nunca vão acontecer, mas no que diz respeito à Europa, existe essa possibilidade", concluiu.
Trump transmitirá todo esse conteúdo ao presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, em sua reunião crucial na segunda-feira na Casa Branca, uma reunião para a qual Trump estendeu um convite, segundo fontes próximas ao 'New York Times', a vários "líderes europeus", começando pelos chefes de Estado e de governo da chamada "coalizão dos dispostos" a participar de uma missão de paz para a Ucrânia, principalmente o chanceler alemão, Friedrich Merz, o presidente da França, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.
Zelenski, que não comentou formalmente essa informação, nem a Casa Branca, o Kremlin ou a diplomacia europeia, sempre foi firmemente contra a cessão de território à Rússia como parte de um possível acordo de paz.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático