Publicado 23/01/2026 14:38

É publicado um consenso para tratar a insônia em menores com autismo: “O primeiro passo é saber quando e quanto eles dormem”

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LEMANNA/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 23 jan. (EUROPA PRESS) -

A Associação Espanhola de Pediatria (AEP) e a Sociedade Espanhola do Sono (SES) lideraram a elaboração de um consenso sobre o tratamento da insônia em menores com transtorno do espectro autista (TEA), que enfatiza a importância de iniciar o tratamento com medidas não farmacológicas, sabendo quando e quanto eles dormem e implementando padrões de higiene do sono.

“Até 83% das crianças com autismo têm problemas de sono. Se uma criança dorme mal, isso afeta a cognição, o desempenho cognitivo e as emoções, ou seja, os sintomas do autismo aumentam se ela dorme mal. E se ela dorme mal, há mais problemas comportamentais, mais irritabilidade, mais hiperatividade e mais déficit de atenção. E, por sua vez, tudo isso repercute na noite”, destacou a representante da Sociedade Espanhola do Sono, Milagros Merino, durante a apresentação do consenso realizada nesta sexta-feira. Merino explicou que os problemas de sono em pessoas com autismo são causados por uma alteração dos neurotransmissores, tanto os do sono quanto os da vigília. Diante disso, ela destacou que é preciso agir, pois, embora talvez não seja possível curar a insônia, é possível melhorar a qualidade de vida.

Com esse objetivo, surge o “Consenso sobre o tratamento da insônia em pessoas com transtorno do espectro autista menores de 18 anos”, que contou com a participação da Associação Espanhola de Pediatria (AEP), da Sociedade Espanhola do Sono (SES), da Federação Espanhola de Sociedades de Medicina do Sono (FESMES), a Sociedade Espanhola de Neurologia Pediátrica (SENEP), a Sociedade Espanhola de Pediatria Extrahospitalar e Atenção Primária (SEPEAP), a Sociedade de Psiquiatria Infantil da AEP e a Confederação Autismo Espanha, e está publicado na revista “Anales de Pediatría”.

Este documento estabelece que a primeira coisa que as famílias devem fazer é conhecer as necessidades de sono dos menores. Para isso, o coordenador do Comitê de Sono e Cronobiologia da AEP, Gonzalo Pin, indicou que é preciso fazer uma agenda de sono livre, deixando que durante uma ou duas semanas a criança ou adolescente durma e acorde quando quiser e se adapte aos seus horários.

Depois disso, ele indicou que as famílias devem se concentrar em mostrar às crianças o “contraste” entre o dia e a noite. “E como faço isso? O dia é luz, o dia é atividade física e o dia é comer. A noite é escuridão, é não atividade física e não comer”, disse ele, dando exemplos de rotinas que podem ser adotadas, como levar a criança à escola a pé pela manhã para enviar ao cérebro a mensagem de que esse é o momento de estar ativo. Paralelamente, Pin destacou que existem os hábitos de higiene do sono. “Mas a higiene do sono não é a higiene do que vou fazer para dormir, a higiene do sono é parte do que está sendo feito. A higiene do sono em pessoas autistas, em todo o mundo, começa quando me levanto e tomo café da manhã. Conforme durmo, vivo, e conforme vivo, durmo”, referiu. TRATAMENTO FARMACOLÓGICO

Se as medidas de contraste e higiene do sono, melhoria do ambiente e controle das alterações sensoriais não melhorarem o sono, o especialista pode prescrever tratamento farmacológico, juntamente com um acompanhamento realizado com um diário do sono, onde se anota quando a criança se deita, quando acorda e quando dorme. “O medicamento faz parte do tratamento dos distúrbios do sono, mas não é todo o tratamento, muito menos”, enfatizou Gonzalo Pin.

Como medicamento de primeira escolha, o consenso recomenda a melatonina pediátrica de liberação prolongada (MPLP), começando com uma dose de 2 miligramas por dia (mg/dia) e ajustando até 10 mg/dia, conforme a necessidade. Se os problemas persistirem, pode-se adicionar gradualmente alimemazina, risperidona ou clonidina, nessa ordem. “Geralmente, com isso, a maioria dos problemas de manutenção deve ter sido resolvida. Se não for o caso, teríamos que reavaliar completamente e verificar se algo está escapando”, alertou Pin.

No início da insônia, quando a criança tem muita dificuldade para dormir, recomenda-se melatonina de liberação imediata em uma dose inicial de 5 mg/dia, diminuindo para 2 mg/dia se for eficaz ou aumentando para 7 mg/dia caso contrário, ou recorrendo à melatonina de liberação prolongada se essa dificuldade inicial persistir ou se houver algum despertar noturno.

Gema, mãe de um jovem com autismo que atualmente tem 18 anos e apresenta problemas relacionados ao sono, também participou do evento. “O sono marcou profundamente nossa vida, a vida familiar, seu aprendizado (...) Não dormir bem também causou alguns pequenos acidentes por parte dele, como quedas, pontos, ou seja, tem sido complicado”, detalhou Gema.

Na sua opinião, uma primeira avaliação por especialistas do sono é “indiscutível”, acompanhada de um acompanhamento posterior pelo médico de família. Como recomendação para outras famílias, ela sugeriu que procurem ajuda profissional, que confiem em si mesmas e se apoiem em outras famílias que estão passando pela mesma situação.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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