MADRID, 22 abr. (EUROPA PRESS) -
A Sociedade Espanhola de Psiquiatria e Saúde Mental (SEPSM) fez um apelo para acabar com o estigma que ainda envolve as doenças mentais e fazer com que a sociedade diferencie o mal-estar passageiro da doença tratável, com o objetivo de pôr fim à banalização dessas patologias.
“Temos um enorme desafio de saúde pública pela frente”, afirmou a esse respeito a presidente da SEPSM, Marina Díaz Marsá, que destacou que, se for possível superá-lo, as pessoas que “realmente precisam” poderão ter acesso a um atendimento psiquiátrico “de qualidade”.
A sociedade de psiquiatras lançou uma campanha de divulgação composta por nove vídeos curtos, concebidos para explicar, com rigor médico e proximidade humana, os principais transtornos mentais e combater o estigma que ainda os envolve.
Esses vídeos, que serão publicados todas as quartas-feiras nos canais oficiais da sociedade, abordarão a depressão, a diferença entre o mal-estar da vida cotidiana e a doença mental, os sinais de alerta na adolescência, o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), o suicídio, os transtornos alimentares (TA), o transtorno de personalidade limítrofe (TPL) e a psicose.
Por meio desses vídeos, a SEPSM busca combater a desinformação e o uso metafórico ou banal das patologias mentais na vida cotidiana, onde expressões como “estou deprimido”, “você é bipolar” ou “você tem TLP” se popularizaram, especialmente com o uso das redes sociais.
“Esse tipo de mensagem curta, emocional e fácil de compartilhar simplifica experiências muito complexas e faz com que muitas pessoas se identifiquem com rótulos clínicos sem avaliação médica, o que pode levar a uma interpretação errônea do que lhes ocorre e atrasar a busca por ajuda adequada”, explicaram os especialistas.
REIVINDICAR A FIGURA DO PSIQUIATRA
Com essa ação, a SEPSM também quer reivindicar a figura do psiquiatra como o especialista médico formado durante pelo menos 11 anos para diagnosticar e tratar essas patologias, com base na ciência e na evidência clínica.
“Ouvir ativamente, sem julgar, falar sem estigma, pode fazer a diferença e é muito importante poder consultar; e, certamente, a partir da psiquiatria podemos ajudar”, destaca o primeiro vídeo publicado, intitulado ‘Vamos falar sobre depressão’.
No entanto, a sociedade lembrou as barreiras que a psiquiatria enfrenta na Espanha, como a escassez de profissionais, com uma proporção de 11,5 psiquiatras para cada 100.000 habitantes, o que está muito aquém de países como Portugal (14), Bélgica (17), Áustria e Suécia (22), França (23), Noruega (26) ou Alemanha (28).
Paralelamente, destacou a próxima aposentadoria de cerca de 20% dos psiquiatras, a desigualdade no acesso aos serviços de saúde mental nas diferentes regiões e outros desafios, como a consolidação da especialidade de Psiquiatria Infantil e da Adolescência ou a necessidade urgente de combater o estigma, que atrasa diagnósticos e tratamentos em saúde mental.
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