Publicado 22/01/2026 11:58

Psiquiatras exigem mais especialistas diante de uma demanda crescente: "A Espanha vive um momento crítico em saúde mental"

Archivo - Arquivo - Mulher na consulta do psicólogo.
DEMAERRE/ISTOCK - Arquivo

A SEPSM critica que a escassa dotação econômica dos planos aprovados pelo Ministério da Saúde e pelas Comunidades Autónomas dificulta sua implementação MADRID 22 jan. (EUROPA PRESS) - A presidente da Sociedade Espanhola de Psiquiatria e Saúde Mental (SEPSM), Marina Díaz Marsá, alertou nesta quinta-feira que “a Espanha vive um momento crítico em saúde mental”, com uma demanda crescente de atendimento por parte da população que requer o aumento do número de profissionais, 12 por 100.000 habitantes em média atualmente, para equipará-lo à média europeia, de 18 a 20 por 100.000 habitantes.

“Isso reduz nossas consultas a um mero tratamento dos sintomas e, muitas vezes, com longas listas de espera e sem todo o tempo necessário para estabelecer um bom vínculo com os pacientes, para uma boa abordagem, e nos impede de fazer as revisões com a frequência que precisaríamos”, afirmou em uma reunião com a mídia, na qual representantes da SEPSM apresentaram um decálogo sobre as principais preocupações da profissão.

Díaz lembrou que o Livro Branco da Psiquiatria na Espanha, publicado pela sociedade em 2023, já indicava que uma “percentagem significativa” dos psiquiatras na Espanha tinha mais de 60 anos, pelo que se estimava que era necessário incorporar cerca de 500 psiquiatras por ano, tendo em conta as aposentadorias. A isso, acrescentou a “fuga” de psiquiatras jovens para outros países europeus, o que agrava o déficit. A chefe da Seção de Psiquiatria do Hospital Clínico San Carlos enfatizou que os transtornos depressivos, de ansiedade e do sono são os mais presentes nas consultas, com um “pico de atenção” na população infantil e adolescente, bem como nos idosos. Além disso, alertou que este contexto se combina com uma “certa confusão” da população entre o que é um transtorno mental e o que é o mal-estar da vida cotidiana. “O mal-estar da vida cotidiana são as emoções negativas, o estresse que os indivíduos experimentam simplesmente pelo fato de viver. É algo adaptativo, passageiro e que podemos enfrentar com nossos recursos e com o apoio das pessoas próximas. Um transtorno mental é algo bem diferente, é um sofrimento profundo que afeta a vida global da pessoa e que tem uma série de critérios diagnósticos e um tratamento específico”, explicou.

Nesse contexto, o Ministério da Saúde e as comunidades autônomas aprovaram no ano passado o Plano de Ação de Saúde Mental 2025-2027, com um orçamento de 39 milhões de euros, e o Plano de Ação para a Prevenção do Suicídio 2025-2027, com um financiamento de 18 milhões. Sobre ambas as iniciativas, a SEPSM criticou o orçamento insuficiente destinado, o que dificulta sua implementação. A secretária da SEPSM, Pilar Saiz, aprofundou o Plano de Prevenção do Suicídio, alertando que quase um ano após sua aprovação “não foi implementado” porque seu desenvolvimento depende de cada comunidade autônoma. Por isso, exigiu uma homogeneização e a implementação imediata de algumas linhas, como a formação específica para profissionais. “O suicídio não é algo que possamos erradicar da nossa sociedade (...), mas podemos diminuir significativamente os seus números. Acredito que o suicídio é evitável e que se pode fazer muito mais do que se está fazendo”, afirmou Saiz, destacando em seguida algumas prioridades na assistência, como a incorporação da detecção sistemática de risco ou a continuidade da assistência após uma tentativa. ATENÇÃO A MENORES, REDES SOCIAIS E TCA

Outra das preocupações que constam no decálogo é o uso das redes sociais por adolescentes. “Temos adolescentes que substituíram um tipo de vida na sociedade, na rua, na interação física com os outros, por um tipo de vida dentro de casa, em frente a uma tela”, destacou a vice-secretária da SEPSM, Carmen Moreno.

Nesse ponto, ela alertou que os jovens, quando têm dúvidas, não perguntam mais aos adultos ou aos amigos, mas sim às novas tecnologias, que se tornaram “prescritoras de estilo de vida”. “Deixar que aqueles que nos prescrevem a vida, aqueles que nos dão as soluções para os nossos problemas, sejam os prescritores digitais, ou seja, as pessoas das redes sociais, tem um impacto realmente negativo”, observou.

Moreno também destacou a crescente banalização do consumo de cannabis, cujo fácil acesso por meio de comestíveis, vaporizadores e outros formatos atraentes leva a uma menor percepção do risco, apesar das consequências que isso pode ter, especialmente entre adolescentes. “As mensagens que estão sendo transmitidas sobre a cannabis tendem a falar excessivamente dos benefícios e, infelizmente, não estão levando em conta o efeito que ela tem sobre o cérebro e, sobretudo, sobre o cérebro em desenvolvimento”, comentou.

Também em relação às redes sociais e aos menores, os psiquiatras abordaram a preocupação excessiva com o culto ao corpo e à vida saudável, sobre o que Marina Díaz alertou como promotor de doenças mentais. Especificamente, ela apontou que as adolescentes são as mais afetadas e que o mal-estar gerado pela vontade de controlar o peso pode desencadear distúrbios alimentares (DA) como bulimia, anorexia ou distúrbios por compulsão alimentar. ESTIGMA E HUMANIZAÇÃO DA ATENÇÃO

Por sua vez, o vice-presidente da SEPSM, José Antonio Ramos Quiroga, abordou a necessidade de oferecer uma assistência humanizada em psiquiatria e de acabar com o estigma em torno do tratamento psicofarmacológico e das técnicas de neuromodulação.

Para acabar com o estigma, o decálogo enfatiza a importância de informar a população de forma clara e rigorosa, enquanto que, no caso da humanização, Ramos Quiroga apontou que não se deve focar apenas em aspectos arquitetônicos ou na melhoria das condições dos quartos do hospital, mas também em ter os recursos necessários.

Por fim, os psiquiatras destacaram a importância da inovação na psiquiatria, um aspecto que o decálogo estabelece como “prioridade estratégica” para avançar em direção a um atendimento “cada vez mais preciso, personalizado e baseado em evidências”. Especificamente, eles apontaram para a pesquisa que está sendo realizada no desenvolvimento de novas estratégias farmacológicas e na consolidação de outras terapias biológicas.

Entre os desafios imediatos da psiquiatria, destacaram a necessidade de melhorar a medição dos resultados em saúde, garantir a equidade territorial no acesso à inovação e acelerar a transferência do conhecimento científico para a prática clínica.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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