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MADRID 9 set. (EUROPA PRESS) -
O pesquisador da Clínica Nuestra Señora de La Paz, da Ordem Hospitaleira de São João de Deus da Espanha, o psicólogo Rafael Salomha, incentivou a sociedade a abrir espaços "seguros" nos quais as pessoas que sofreram uma perda por suicídio possam se expressar e falar "sem medo" de serem julgadas.
"Muitas pessoas que passaram por isso concordam que, quando encontram um lugar seguro para compartilhar sua dor, seja com outras pessoas que passaram pela mesma situação, com um terapeuta ou simplesmente com alguém que sabe ouvir, elas começam a respirar um pouco mais aliviadas", disse ele.
De acordo com o especialista, uma pessoa que perde um ente querido por suicídio sofre um enorme impacto emocional, tanto pela dor da perda, a culpa, o estigma e a necessidade de entender o que aconteceu, quanto pelo sentimento de isolamento por não encontrar lugares para falar abertamente sobre o que aconteceu.
Salom aconselhou as pessoas ao seu redor a acompanhar "com empatia e reconhecimento sincero" da dor. "Não se trata de superar, mas de transformar essa culpa, de encontrar uma maneira de seguir em frente com a perda, mas sem que ela destrua tudo", acrescentou o especialista.
"VOCÊ NÃO QUER MORRER, VOCÊ NÃO QUER PARAR DE SOFRER".
No âmbito do Dia Internacional de Prevenção do Suicídio, que é comemorado nesta quarta-feira, Salom detalhou que a ideação suicida é desencadeada como consequência de um "sofrimento emocional intenso que não é percebido como transitório ou solucionável". "Em alguns casos, a pessoa não quer morrer, mas parar de sofrer", disse ele.
O psicólogo indicou que, em 2024, houve 3.846 casos de suicídio na Espanha, o que representa 6,6% a menos do que em 2023 e a primeira queda desde 2019.
Em sua opinião, essa ligeira redução pode estar relacionada à promoção de campanhas de prevenção, maior visibilidade do problema, mais recursos de apoio e crescente conscientização social.
No entanto, ele alertou que o número ainda é "devastador" e que há populações particularmente vulneráveis, como os jovens, os que vivem em situações de isolamento ou exclusão e as pessoas com mais de 85 anos de idade, nas quais ele colocou o foco.
"Tradicionalmente, isso tem sido associado aos jovens, mas vemos que as pessoas com mais de 85 anos estão em um estágio da vida em que sofreram perdas importantes (como um parceiro), há um distanciamento da família, elas veem sua saúde se deteriorar, uma perda de autonomia... o que gera um sentimento de que sua vida não tem mais um lugar ou propósito nesta sociedade", disse ele.
ARRANJO SOCIAL
Nesses casos, a figura do assistente social é importante, de acordo com Nerea Sanz, profissional da Clínica Nuestra Señora de La Paz, que enfatizou que, para pacientes com transtorno mental ou ideação suicida, é essencial criar uma rede que possa apoiá-los e ter uma equipe de profissionais em quem eles possam confiar.
"Os recursos sociais, especialmente nos casos em que fazem parte de uma equipe multidisciplinar, estão se tornando cada vez mais importantes tanto na intervenção do comportamento quanto na forma de preveni-lo", destacou.
Nesse sentido, ela comentou que os assistentes sociais trabalham em contato permanente com psiquiatras, psicólogos e enfermeiros, entre outros profissionais, para oferecer um espaço onde os pacientes encontrem seu lugar e vejam suas necessidades atendidas.
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