Publicado 03/06/2025 06:11

Proteína identificada que pode melhorar a sobrevivência dos neurônios na doença de Huntington

Imunofluorescência de neurônios em cultura; proteína PKD1 em amarelo.
ANA SIMÓN (IIBM-CSIC-UAM)

MADRID 3 jun. (EUROPA PRESS) -

Uma equipe de pesquisadores do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) e da Universidade Autônoma de Madri identificou uma proteína que poderia ajudar a proteger os neurônios de pessoas com a doença de Huntington, uma doença neurodegenerativa com poucas opções terapêuticas.

Ao ativar essa proteína, chamada PKD1, em uma área específica do cérebro, os pesquisadores conseguiram tornar os neurônios mais resistentes aos danos causados por sua destruição nessa doença. A descoberta, publicada na revista Cell Death & Disease, pode abrir novos caminhos para o desenvolvimento de tratamentos para retardar a progressão dessa doença devastadora.

A pesquisa, liderada por Teresa Iglesias, foi realizada pelo Instituto de Pesquisa Biomédica Sols-Morreale (IIBM-CSIC-UAM) em colaboração com a equipe de José J. Lucas e com a participação dos grupos de Eva Porlan e Miguel R. Campanero, os três últimos do Centro Severo Ochoa de Biologia Molecular (CBM-CSIC-UAM).

A doença de Huntington, descrita pela primeira vez em 1872 pelo médico americano George Huntington, é uma doença hereditária que causa a degeneração progressiva dos neurônios. Ela é causada por uma mutação no gene HTT, que provoca uma sequência anormalmente longa de repetições e faz com que a proteína huntingtina produzida por ele seja defeituosa.

Em condições normais, essa proteína desempenha funções essenciais durante o desenvolvimento embrionário e ao longo da vida no cérebro, mas a versão defeituosa se acumula nos neurônios e os deteriora progressivamente.

Embora a mutação esteja presente desde o nascimento, os sintomas geralmente aparecem entre os 30 e 50 anos de idade, e o dano no cérebro começa em uma área chamada estriado, que controla os movimentos voluntários e as funções cognitivas. É nessa área que os neurônios começam a morrer nos estágios iniciais da doença, muito antes de os primeiros sintomas se manifestarem.

RETARDANDO A NEURODEGENERAÇÃO

O novo estudo se concentra em uma proteína chamada PKD1, que ajuda os neurônios a se defenderem do estresse oxidativo, um tipo de dano celular causado pelo excesso de atividade química no cérebro. Esse estresse pode ser especialmente destrutivo quando acompanhado pelo que é conhecido como excitotoxicidade: uma superestimulação dos neurônios que, em vez de ajudar na comunicação entre as células, acaba danificando-as.

Os pesquisadores descobriram que, em pacientes com Huntington, a quantidade de PKD1 é reduzida especialmente nos neurônios do estriado, tornando-os mais vulneráveis a danos. Em contrapartida, em outras células cerebrais, como os astrócitos, a proteína é regulada positivamente, sugerindo um desequilíbrio em sua regulação por tipo de célula. "Essas descobertas indicam uma regulação complexa da PKD1 na doença de Huntington, com variações de acordo com o tipo de célula e a região do cérebro", diz José J. Lucas.

O principal avanço do estudo foi o uso de uma ferramenta molecular desenvolvida pela equipe, especificamente projetada para ativar a PKD1 somente em neurônios. Quando aplicada em culturas neuronais e no cérebro de camundongos modelo da doença de Huntington, eles descobriram que os neurônios tratados eram muito mais capazes de resistir aos danos causados pela excitotoxicidade.

"A atividade dessa proteína quinase é fundamental para a sobrevivência dos neurônios. Sua perda contribui para a deterioração precoce da doença de Huntington, mas sua potencialização poderia retardar a neurodegeneração", explica Ana Simón, uma das pesquisadoras do projeto.

Além disso, os neurônios tratados mantiveram os marcadores moleculares típicos de células saudáveis por mais tempo, indicando um efeito protetor real. "Acreditamos que o aumento da atividade da PKD1 pode ser uma vantagem decisiva para a sobrevivência dos neurônios mais vulneráveis nessa doença", acrescenta Iglesias.

IMPLICAÇÕES TERAPÊUTICAS

Embora o CSIC enfatize que essa pesquisa ainda está em fase experimental, eles dizem que a descoberta representa um passo importante em direção a novas terapias para a doença de Huntington. A estratégia de ativar a PKD1 poderia ser aplicada no futuro por meio de técnicas de terapia genética ou moléculas que imitam sua função protetora.

"Descobrir os mecanismos moleculares que a PKD1 aciona para proteger os neurônios pode ter um impacto importante também em outras doenças neurológicas", diz Álvaro Sebastián, outro dos autores do estudo, que agora lidera seu próprio grupo na Universidade Complutense de Madri.

Os pesquisadores enfatizam que há uma necessidade urgente de encontrar novos tratamentos para essa doença rara, cuja progressão física e mental é devastadora. Embora ainda seja muito cedo para que essa abordagem chegue aos pacientes, os resultados fornecem uma base para a realização de testes clínicos que podem um dia melhorar a qualidade de vida de milhares de pacientes e suas famílias.

Esse estudo faz parte da colaboração entre as equipes mencionadas, no âmbito do Centro de Investigación Biomédica en Red (Ciber, ISCIII), nas áreas de Doenças Neurodegenerativas (Ciberned) e Doenças Cardiovasculares (Cibercv).

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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