Publicado 29/05/2025 09:29

A profissão médica defende sua liderança clínica e responsabilidade prescritiva contra a Lei de Medicamentos

Archivo - Arquivo - Homem no consultório médico.
ISTOCK - Arquivo

MADRID 29 maio (EUROPA PRESS) -

A Ordem dos Médicos da Espanha (OMC) e a Federação das Associações Médicas Científicas da Espanha (FACME) defenderam nesta quinta-feira a liderança clínica exercida pelos médicos e sua responsabilidade de prescrever medicamentos contra os aspectos introduzidos no projeto de Lei de Medicamentos e Produtos de Saúde, que estende a capacidade de prescrição a enfermeiros e fisioterapeutas, entre outras modificações.

"Quem não entender que no século 21, em 2025, o atendimento ao paciente é multidisciplinar em todas as áreas das 14 profissões da saúde, não entendeu absolutamente nada. Agora, quem não entender também que a liderança dessas equipes multidisciplinares é do médico, também não entendeu nada", disse o presidente da OMC, Tomás Cobo, em uma coletiva de imprensa realizada para explicar as alegações que essa organização e a FACME apresentaram ao projeto de lei.

A esse respeito, ele insistiu que não se trata de uma vantagem "corporativista", mas sim de uma resposta aos anos que os médicos têm de passar, cerca de 11, para adquirir o conhecimento e as habilidades necessárias que levam à "responsabilidade" de liderar equipes e prescrever medicamentos.

Com relação à prescrição, o coordenador do Observatório de Prescrição da OMC, Pedro Hidalgo, explicou que prescrever não é escrever, nem é o mesmo que receitar, indicar ou dispensar, nem é um "ato burocrático", mas sim o "ato mais difícil" que um médico realiza.

Assim, ele disse que aumentar o perfil de múltiplos prescritores, como faz o projeto de lei ao introduzir a figura de enfermeiros e fisioterapeutas, "fragmenta a responsabilidade médica", "confunde o paciente" e "cria um conflito entre profissionais que não deveria".

"Os médicos têm licença para prescrever, mas nós não temos licença para gastar. Recebemos uma procuração, mas não estamos lá para fazer o que quisermos. Também devemos ser assistentes no uso racional de medicamentos", acrescentou Hidalgo.

Nesse sentido, o coordenador do Observatório de Prescrição da OMC aprofundou outra das críticas ao projeto de Lei de Medicamentos, denunciando que o texto "não define descritivamente nem estipulativamente" o que é o uso racional de medicamentos. "Para nós é uma coisa tremenda e acaba nos confundindo", ressaltou.

Hidalgo defendeu o monitoramento terapêutico realizado pelos médicos após a prescrição de um medicamento, bem como o monitoramento da adesão ao tratamento, e fez alusão à alegação da OMC contra a categoria de medicamentos de primeira prescrição criada pelo projeto de lei, que, segundo ele, "induz ao autoconsumo".

DAR AOS MÉDICOS SEU PAPEL

Por sua vez, a presidente da FACME, Cristina Avendaño, apresentou as propostas de modificação acordadas pela Federação, que coincidem com as da OMC no objetivo de "fazer mudanças para dar aos médicos o papel que lhes corresponde devido à responsabilidade que assumem no processo de saúde".

Conforme detalhado, as alegações da FACME enfatizam a participação dos médicos no processo de avaliação para a incorporação de novos medicamentos e tecnologias no Sistema Nacional de Saúde (SNS).

Da mesma forma, para garantir uma utilização mais eficiente dos medicamentos, propõe que, quando o médico prescrever uma determinada marca dentro da gama de medicamentos financiados, o medicamento a dispensar seja esse e não outro. "Em outras palavras, quando não há economia para o sistema por meio da substituição, a substituição não é necessária", disse ele, referindo-se à possibilidade oferecida pelo projeto de lei aos farmacêuticos de substituir esse medicamento.

Apesar disso, Avendaño enfatizou que sua Federação considera "positiva" a atualização dessa lei e está "feliz" com alguns dos novos recursos que ela propõe, como permitir o acesso antecipado a medicamentos que já têm autorização de comercialização e estão aguardando a decisão sobre o financiamento.

OPORTUNIDADES PERDIDAS

A primeira vice-presidente da OMC, Mª Isabel Moya, destacou em seu discurso que o projeto de lei perde várias oportunidades, incluindo a eliminação do termo "medicamento" no capítulo dedicado aos medicamentos homeopáticos e a mudança do nome para "produtos".

Tomás Cobo destacou que o projeto de lei também perde a oportunidade de promover a relação médico-paciente, que atualmente está "atomizada" devido ao envolvimento de vários especialistas e ao posicionamento do arsenal terapêutico e de diagnóstico à frente dos médicos, e de se concentrar na medicina de precisão e personalizada, que são o caminho a seguir.

Quanto ao relacionamento que a OMC e a FACME mantêm com o Ministério da Saúde para trabalhar nessa Lei, Cobo disse que há um relacionamento com o Diretor Geral de Farmácia e que estão esperando que eles estudem todas as alegações apresentadas. "Vamos ver se, entre todos nós e com nossa assessoria gratuita, podemos melhorar e fazer uma lei para o ano de 2025, como eu disse antes, e para o século 21", disse ele.

"Continuando com o que o médico disse, nossa percepção é muito positiva. Estamos animados com o fato de que nossas alegações serão levadas em conta e tanto o Secretário de Estado quanto o Diretor Geral percebem uma vontade de fazer melhorias na Lei, e nós facilitamos para eles porque concordamos com muitas delas, então estou otimista de que nossas alegações serão levadas em conta", concluiu o presidente da FACME.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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