Publicado 17/06/2026 09:32

Profissionais da área da saúde se manifestam em Madri por uma reclassificação profissional e remuneração adequada

Eles intensificarão a pressão contra o governo em outubro caso não recebam resposta

Dezenas de pessoas durante a manifestação dos profissionais técnicos da área da saúde, em 17 de junho de 2026, em Madri (Espanha). Essa marcha de protesto, convocada em conjunto pelo Sindicato dos Técnicos de Enfermagem (SAE) e pelo Sindi
Matias Chiofalo - Europa Press

MADRID, 17 jun. (EUROPA PRESS) -

Centenas de técnicos da área da saúde, convocados pelo Sindicato dos Técnicos de Enfermagem (SAE) e pelo Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores da Saúde (TECNOS), percorreram nesta quarta-feira as ruas de Madri para exigir sua reclassificação profissional e a remuneração correspondente.

“Já faz 19 anos, desde que foi aprovado o EBEP (Estatuto Básico do Funcionário Público), sem ter obtido a classificação que nos cabe de acordo com o artigo 76”, afirmou a secretária de Organização e Comunicação do SAE, Isabel Lozano, em declarações à Europa Press no início da manifestação.

Segundo ela explicou, os técnicos da saúde de nível médio devem ser enquadrados no grupo C1 e os técnicos de nível superior, no grupo B. O acordo de reforma do Estatuto-Quadro assinado entre o Ministério da Saúde e os sindicatos do Âmbito de Negociação era “promissor” para as organizações de técnicos, mas o anteprojeto aprovado finalmente pelo Conselho de Ministros introduz mudanças que consideram prejudiciais.

“É verdade que reconhecia a qualificação e que iriam nos classificar como nos cabe, embora com outras letras: seria o grupo 5 para os técnicos superiores e o grupo 4 para os técnicos de nível médio. No último rascunho aprovado pelo Conselho de Ministros, constatamos que há diferenças em relação ao rascunho que os sindicatos assinaram com o Ministério da Saúde em janeiro e acreditamos que essas mudanças nos prejudicam, pois, neste momento, não está muito claro quando os grupos de classificação entrarão em vigor, nem quais serão as remunerações”, explicou Lozano.

Além disso, ele destacou a perda de outra série de reivindicações no texto do anteprojeto do Estatuto-Quadro, como a aposentadoria antecipada e parcial e o reconhecimento da profissão da saúde como profissão de risco.

VERBA ORÇAMENTÁRIA NÃO APLICADA

O secretário-geral da TECNOS, Joaquín Cano, destacou à Europa Press que a verba orçamentária para que os técnicos recebam o salário a que têm direito existe desde a entrada em vigor do EBEP em 2007, mas que “não foi aplicada”, assim como ocorre com o Orçamento Geral do Estado de 2023, atualmente prorrogado.

“Todos os outros grupos profissionais recebem esse valor, sejam enfermeiros, médicos, auxiliares de enfermagem ou qualquer outra categoria, e os únicos a quem isso não foi aplicado somos os técnicos de nível médio e os técnicos superiores”, destacou, ao mesmo tempo em que mencionou que cada técnico teria perdido cerca de 250 a 300 euros por mês desde 2007.

Nesse contexto, o delegado provincial da TECNOS em Cádiz, Damián Moreno, ressaltou que se trata de uma “reivindicação histórica” e que o Ministério da Fazenda, ao dispor da verba orçamentária e não aplicá-la, está “sequestrando” os “direitos” dos profissionais. “Por isso, estamos aqui reivindicando simplesmente o que nos pertence, o que é nosso. Não pedimos nada mais”, afirmou.

Os representantes sindicais concordaram que essa manifestação é o “início das ações que estão por vir”, insistindo que se trata de um “ponto sem volta”. Assim, eles garantiram que, em breve, conversarão com o Sindicato dos Trabalhadores (CCOO) e a União Geral dos Trabalhadores (UGT) para, a partir de outubro, iniciar mobilizações “em nível mais alto” caso o governo não tome medidas.

A manifestação das “4 R” (Reconhecimento, Reclassificação, Remuneração e Rapidez) teve início, precisamente, em frente ao Ministério da Fazenda — órgão ao qual se dirigem suas reivindicações —, para terminar no Congresso dos Deputados. Uma vez na Câmara dos Deputados, os sindicatos informaram que seriam recebidos por representantes do Partido Popular, do Sumar e do Podemos, a quem transmitirão suas reivindicações.

Em um manifesto dirigido ao presidente do Governo, Pedro Sánchez, aos deputados e aos ministros, os sindicatos afirmam que os técnicos da área da saúde da Formação Profissional estão “fartos” de “palavras bonitas, promessas não cumpridas e nenhuma ação concreta” que reconheça o valor agregado que esses profissionais representam na assistência à saúde.

Os profissionais presentes na manifestação entoaram slogans que resumem seu descontentamento, como “Técnicos presentes, direitos urgentes” e “Não maltrate as mãos que cuidam de você”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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