Publicado 09/07/2025 07:37

A professora María José Parejo adverte sobre os "desafios legais e éticos" impostos pela IA ao direito à saúde

María José Parejo, professora de Direito Eclesiástico do Estado na Universidade Pablo de Olavide, posando durante um dos cursos de verão da UPO.
UPO

CARMONA (SEVILLA), 9 (EUROPA PRESS)

Em uma entrevista à Europa Press, María José Parejo, professora de Direito Eclesiástico do Estado na Universidade Pablo de Olavide (UPO), refletiu sobre os "importantes desafios jurídicos, éticos e educacionais" apresentados pela Inteligência Artificial no campo do direito à saúde.

Ela participou de um dos Cursos de Verão "Direito(s), ensino do Direito e inovação tecnológica: desafios e oportunidades da aplicação da inteligência artificial" da UPO, realizado na sede de Carmona, do qual foi codiretora.

O discurso da professora Parejo, intitulado 'Avanços científicos e inteligência artificial no campo do direito à saúde', concentrou-se nos "desafios envolvidos no uso de sistemas automatizados em contextos clínicos e em decisões médicas de alto impacto", como as relacionadas à "eutanásia", um campo no qual ela tem um histórico reconhecido e no qual é membro da Comissão de Garantia e Avaliação do Ministério da Saúde do Governo Regional da Andaluzia.

"Estamos falando de vidas humanas", advertiu Parejo, ressaltando que "ao contrário de outros setores, uma decisão errada baseada em IA no setor de saúde pode ter consequências irreversíveis".

Nesse contexto, ele enfatizou a necessidade de "impor limites claros" ao uso dessas tecnologias, que "já estão atingindo todas as áreas da sociedade".

PROTEÇÃO DE DADOS E RESPONSABILIDADE: "OS GRANDES DESAFIOS".

O professor insistiu em dois aspectos fundamentais que devem ser abordados com prioridade: "a proteção de dados pessoais e a determinação de responsabilidades".

"A IA se alimenta de enormes quantidades de dados, mas não sabemos para onde esses dados vão e como são usados. No caso dos dados de saúde, o risco é particularmente grave", disse ele. Em sua opinião, a regulamentação deve "ser clara" para "proteger a confidencialidade do paciente e evitar que informações confidenciais sejam expostas".

Em termos de responsabilidade, Parejo levantou uma questão fundamental: "se um paciente morrer como resultado de uma indicação errônea de um sistema de inteligência artificial, quem é responsável?

Embora a lei coloque o médico como a "última instância responsável", ele alertou para o risco de "confiança cega" em recomendações automatizadas "sem avaliação crítica prévia".

"Precisamos treinar a equipe de saúde para usar a inteligência artificial com rigor e sem delegar a ela decisões humanas transcendentais", disse ele.

Parejo também alertou para o risco de que a inteligência artificial, se não for usada corretamente, possa acabar "violando direitos fundamentais sem que tenhamos plena consciência disso".

Dessa forma, ele reiterou que "involuntariamente, muitos direitos estão sendo violados, e é por isso que o treinamento é fundamental, especialmente o dos instrutores, que devem estar preparados para ensinar aos nossos alunos o uso ético e legal dessas ferramentas".

"UMA QUESTÃO DE ÉTICA PROFISSIONAL

Em um nível mais ético, Parejo enfatizou os dilemas apresentados pelo uso da inteligência artificial na prática médica diária. "Onde começa e onde termina a ética profissional de um médico: o paciente está realmente solicitando a eutanásia ou está sendo induzido por uma ferramenta algorítmica?

Para o professor, é "crucial" garantir que o julgamento humano "não seja substituído por sistemas que, embora eficientes, carecem de sensibilidade moral". Para concluir, Parejo enfatizou "a necessidade de estruturas regulatórias que acompanhem a integração dessas tecnologias na sociedade".

Nesse sentido, ele saudou a próxima publicação de um 'Código de Boas Práticas' promovido pelo Ministério das Universidades, que "servirá como guia para o uso responsável da IA em ambientes acadêmicos e profissionais".

Diante do medo que a IA gera, a professora é cautelosamente otimista, pois, em sua opinião, "ela mudará tudo: a maneira como ensinamos, aprendemos e praticamos a medicina. Se fizermos tudo certo, será uma ferramenta para o progresso. Mas se não a usarmos corretamente, ela pode se tornar um desastre.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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