Publicado 24/03/2026 11:26

O primeiro consenso sobre a hepatite Delta indica que entre 30% e 50% dos pacientes apresentam cirrose no momento do diagnóstico

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ISTOCK. - Arquivo

MADRID 24 mar. (EUROPA PRESS) -

Sete sociedades científicas chegaram ao primeiro consenso sobre a hepatite Delta (VHD), que aponta que entre 30% e 50% dos pacientes apresentam dano hepático avançado — cirrose — no momento do diagnóstico, o que evidencia a gravidade dessa infecção.

“Este primeiro consenso representa um passo decisivo para melhorar a abordagem da hepatite Delta em nosso país, já que, pela primeira vez, estabelece recomendações comuns e coordenadas entre todas as especialidades envolvidas”, afirmou o chefe da Seção de Hepatologia do Hospital Universitário La Paz de Madri e coordenador da Aliança para a Eliminação das Hepatites Virais na Espanha (AEHVE), o Dr. Javier García-Samaniego.

Este profissional de saúde formou, juntamente com os doutores Sabela Lens, Federico García, Juanjo Mascort, Marta Casado, Carolina Freyre, Alicia Lázaro, Gema Muñoz, Cristina Molera e María Buti, o painel multidisciplinar de especialistas encarregado de elaborar o “Documento de Consenso sobre o diagnóstico, manejo e tratamento da infecção crônica pelo vírus da hepatite B (VHB) e VHD na Espanha”.

Quanto às entidades autoras do documento, estas foram a AEHVE, a Associação Espanhola para o Estudo do Fígado (AEEH), e as sociedades espanholas de Patologia Digestiva (SEPD), de Medicina Familiar e Comunitária (semFYC), de Farmácia Hospitalar (SEFH), de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica (SEGHNP) e de Doenças Infecciosas e Microbiologia Clínica (SEIMC). Esta última, por meio de seu Grupo de Estudo de Hepatite Viral (GEHEP).

“Contar com um marco comum baseado em evidências é fundamental para avançar no diagnóstico precoce, melhorar o manejo clínico e nos aproximar das metas de eliminação das hepatites virais na Espanha”, continuou García-Samaniego. Para isso, este consenso defende a realização de triagem sistemática do vírus delta em todas as pessoas com HBV.

BAIXA PREVALÊNCIA DA HEPATITE B NA ESPANHA

Embora a Espanha seja um país com baixa prevalência de HBV — entre 0,22% (90.000 pessoas) e 0,5% (190.000), de acordo com diferentes estudos—, a hepatite B crônica, que só pode se desenvolver em pessoas previamente infectadas por esse vírus, constitui a forma mais grave de hepatite viral crônica e representa um importante problema de saúde pública devido à sua elevada morbimortalidade e ao maior risco de evolução para complicações graves. Entre estas, destacam-se a cirrose e o carcinoma hepatocelular, inclusive em idades mais precoces.

Além disso, por meio deste documento, alertou-se para a rápida progressão da doença, uma vez que um terço dos pacientes com HCV crônica desenvolve cirrose em menos de uma década, o que confirma seu caráter especialmente agressivo em comparação com outras hepatites virais.

Diante disso, foram oferecidas recomendações práticas e consensuais sobre o diagnóstico, o manejo e o tratamento dessas infecções na prática clínica real. Paralelamente, foi destacado que persistem importantes desigualdades na detecção precoce, no acesso ao tratamento e no acompanhamento adequado dos pacientes, o que dificulta o avanço em direção às metas de eliminação das hepatites virais, estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para 2030.

Por fim, este consenso destaca os recentes avanços terapêuticos e insiste na necessidade de garantir um acesso equitativo a essas opções e de reforçar a coordenação entre a Atenção Primária e os serviços hospitalares para melhorar os resultados em saúde. É necessário um modelo de assistência mais proativo e integrado, baseado na triagem sistemática, na detecção precoce e na continuidade do atendimento.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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