MADRID, 3 abr. (EUROPA PRESS) -
Uma nova descoberta que revoluciona a compreensão do início da história geológica da Terra desafia as ideias sobre como os continentes se formaram e como a tectônica de placas começou.
Um estudo publicado na Nature revela que a primeira crosta terrestre, formada há cerca de 4,5 bilhões de anos, provavelmente tinha características químicas muito semelhantes às da crosta continental atual.
Isso sugere que a assinatura química distinta de nossos continentes foi estabelecida no início da história da Terra.
"Essa descoberta tem implicações importantes para nossa compreensão do início da história da Terra", disse o professor Simon Turner, da Faculdade de Ciências e Engenharia da Universidade Macquarie, que liderou o estudo, em um comunicado.
Há muito tempo os cientistas acreditam que as placas tectônicas tiveram que mergulhar umas sob as outras para criar a pegada química que vemos nos continentes.
Nossa pesquisa mostra que essa marca existia na crosta mais antiga da Terra, a protocrosta, o que significa que essas teorias precisam ser reconsideradas, diz o professor Turner.
Repensando a formação inicial da Terra Há décadas, os cientistas tentam identificar quando a tectônica de placas começou, marcando a evolução inicial da vida.
A assinatura química das rochas formadas em zonas de subducção (onde uma placa deslizou sob outra) se distingue por seu baixo teor de nióbio.
Os cientistas acreditavam que determinar a idade das primeiras rochas com baixo teor de nióbio era fundamental para identificar quando a tectônica de placas começou; no entanto, embora várias equipes de pesquisa tenham tentado descobrir isso, os resultados de cada estudo foram notavelmente inconsistentes.
Comecei a me perguntar se estávamos fazendo a pergunta certa", diz o professor Turner.
Juntamente com colaboradores de seis universidades, ele criou modelos matemáticos que simulavam as condições da Terra primitiva durante a formação do núcleo da Terra.
Os cálculos da equipe mostraram que a protocrosta - a crosta mais antiga da Terra, formada durante o éon Hadic (4,5 a 4 bilhões de anos atrás) - desenvolveria naturalmente as mesmas assinaturas químicas encontradas nos continentes atuais, sem a necessidade de placas tectônicas para criá-la.
pistas químicas para a formação
Os resultados iniciais do modelo mostraram que, sob as condições redutoras da Terra primitiva, o elemento nióbio se tornaria siderófilo, ou seja, atraído pelo metal, afundando no oceano de magma global até o núcleo da Terra.
"Percebi que poderia haver uma conexão entre a formação inicial do núcleo, os padrões de elementos altamente siderófilos e a infame anomalia negativa de nióbio observada na crosta continental", diz o professor Turner.
A assinatura distinta da crosta continental corresponde à assinatura provável do material extraído do manto após a formação do núcleo, mas antes de os meteoritos bombardearem a Terra primitiva, resolvendo o mistério de por que a assinatura química aparece em quase todas as rochas continentais, independentemente de sua idade.
"Nossa pesquisa mostra que as características químicas que observamos na crosta continental foram criadas no período mais antigo da Terra, independentemente do comportamento da superfície do planeta", diz o professor Turner.
"Essa crosta primitiva foi remodelada e enriquecida com sílica por uma combinação de impactos de meteoritos, desprendimento da crosta e o início dos movimentos das placas.
É provável que a crosta primitiva tenha se dividido em fragmentos que se espessaram em algumas áreas, formando a origem dos continentes.
À medida que esses fragmentos se moviam lateralmente, o magma derretido entre eles criou uma crosta semelhante à encontrada no fundo do oceano atualmente.
IMPACTOS DE METEORITOS E TECTÔNICA DE PLACAS
O intenso bombardeio de meteoritos durante esse período inicial causou extensa ruptura e reciclagem da crosta.
A tectônica de placas pode ter funcionado de forma intermitente, desencadeada por impactos de meteoritos, até cerca de 3,8 bilhões de anos atrás, quando o bombardeio de meteoritos diminuiu drasticamente à medida que o caos do sistema solar primitivo deu lugar a órbitas mais ordenadas.
A tectônica de placas adotou então um padrão contínuo e autossustentável.
"Essa descoberta muda completamente nossa compreensão dos primeiros processos geológicos da Terra", diz o professor Turner. "Ela também nos dá uma nova perspectiva sobre como os continentes podem se formar em outros planetas rochosos do universo.
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