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MADRID, 30 mar. (EUROPA PRESS) -
A professora adjunta do Departamento de Fisioterapia da Universidade Europeia, Sara Mogedano, e o professor titular de Fisioterapia da mesma instituição, Carlos Romero, alertaram que a presoterapia é uma ferramenta complementar para o bem-estar e a recuperação muscular, mas “não deve ser considerada uma solução para distúrbios circulatórios nem um tratamento estético definitivo”.
Essa é a posição que defenderam em resposta ao “boom” dos dispositivos domésticos de presoterapia, uma técnica tradicionalmente aplicada em clínicas e centros de fisioterapia. Conforme explicaram, atualmente são vendidas botas de compressão e máquinas para uso doméstico que prometem desde uma melhor recuperação esportiva até benefícios estéticos.
A presoterapia consiste na aplicação de compressões pneumáticas intermitentes para mobilizar a linfa e melhorar o retorno venoso. “Fisiologicamente, um equipamento de qualidade pode facilitar o deslocamento dos líquidos acumulados nos tecidos, gerando uma sensação de alívio e uma redução do inchaço a curto prazo”, explicou Sara Mogedano.
Um dos principais argumentos de venda desses produtos é seu suposto impacto estético. No entanto, Mogedano ressaltou que a redução de volume que pode ser observada é temporária, uma vez que está relacionada à mobilização de líquidos e não a uma diminuição do tecido adiposo, ou seja, não aborda a origem do problema.
Os especialistas também alertaram sobre os riscos que o uso incorreto pode acarretar. “A aplicação de pressão externa pode agravar condições como trombose venosa profunda, infecções ativas ou distúrbios cardiovasculares descompensados”, precisou Carlos Romero, que alertou que o risco é maior quando os dispositivos são utilizados em casa por usuários que desconhecem as contraindicações.
A esse respeito, eles apelaram à responsabilidade daqueles que promovem esses aparelhos nas redes sociais. “A promoção nas redes sociais frequentemente aparece associada a rotinas de recuperação ou cuidados estéticos, sem especificar adequadamente suas reais indicações”, destacou Romero.
Na sua opinião, os criadores de conteúdo têm um papel crucial e “devem assumir a responsabilidade de garantir que a informação que chega ao público seja rigorosa e segura”, de modo que o uso desses dispositivos se baseie sempre em expectativas realistas e, se possível, em um critério clínico informado.
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