MADRID 17 set. (EUROPA PRESS) -
O presidente da HM Hospitales, Juan Abarca, enfatizou a necessidade de mudar a forma como o sistema de saúde aborda a prevenção do câncer e de dar maior destaque à detecção precoce da doença.
“Na Espanha, falta conscientização, falta orçamento, mas houve avanços na conscientização sobre a saúde. É uma questão de mudar a perspectiva e as prioridades. A solução principal é política: é preciso enxergar isso a longo prazo como uma questão rentável”, destacou Abarca durante sua intervenção no 4º Curso Internacional de Diagnóstico Hipercedo em Oncologia e seu Manejo Clínico, organizado pela HM Hospitales.
Nesse sentido, o presidente da HM Hospitales defendeu que a evolução rumo a uma medicina cada vez mais personalizada deve abranger também a prevenção e o diagnóstico. “Temos um sistema de saúde concebido para a equidade e não para a personalização, algo que deve ser feito do ponto de vista terapêutico, mas que também deve levar em conta a personalização no tratamento, pois traz eficiência, resultados e produtividade”, afirmou.
A inteligência artificial foi o tema central de outro dos grandes blocos do evento, devido à sua capacidade de contribuir para identificar populações-alvo para o diagnóstico precoce. Os especialistas destacaram seu potencial, mas também a necessidade de se dispor de dados suficientes, padronizados e de qualidade, bem como de modelos explicáveis que gerem confiança e possam ser integrados à prática clínica.
A IA permite, além disso, analisar um universo crescente de variáveis potencialmente relacionadas ao câncer e estudar diferentes cenários por meio de processos de “machine learning” em períodos consideravelmente mais curtos. O Dr. Antonio Cubillo destacou essa capacidade de acelerar a pesquisa: “O que antes levava quatro ou cinco anos, a IA nos permite concluir em seis meses”.
Os especialistas alertaram, no entanto, que o desenvolvimento tecnológico avança mais rapidamente do que os processos regulatórios e de implementação. Clara Aguiló, da Roche Diagnostics, lembrou que “todos os algoritmos devem ter segurança e evidência científica” e esclareceu que essas ferramentas permitem estratificar o risco, não estabelecer um diagnóstico. O financiamento, a integração hospitalar e a capacidade de ampliar as soluções de forma sustentável surgem como alguns dos principais desafios para sua incorporação.
As possibilidades oferecidas pelos testes direcionados a um único tumor e pelos novos testes multitumorais foram o tema central do bloco seguinte. Essas ferramentas abrem novos caminhos para avançar em direção a estratégias de detecção mais personalizadas, embora sua incorporação continue condicionada à evidência científica, ao financiamento e à sua integração nos circuitos de atendimento.
Entre os exemplos analisados está o rastreamento do câncer colorretal, onde a falta de adesão continua sendo um dos desafios e novas abordagens estão sendo estudadas para facilitar a participação da população. Luis de Lorenzo, da Palex, identificou o financiamento como a principal barreira para a incorporação dessas inovações e destacou a ausência de mecanismos que permitam a criação de modelos de reembolso.
PESQUISAR PARA TRANSFERIR A INOVAÇÃO PARA A PRÁTICA CLÍNICA
A pesquisa encerrou uma jornada em que ficou evidente a necessidade de gerar evidências que permitam determinar não apenas a capacidade dos novos exames de identificar sinais relacionados a um tumor, mas também a quais populações eles devem ser direcionados, como incorporá-los ao processo de atendimento e qual é sua utilidade clínica.
Na mesa redonda dedicada ao papel da indústria farmacêutica, David Moreno, da Lilly, enfatizou que “é preciso continuar pesquisando o diagnóstico ultraprecoce”, enquanto Luis Guardiola, da GSK, destacou que “há cada vez mais uma cultura de participação nos estudos”.
Nesse contexto, o Dr. Antonio Cubillo destacou a grande disposição dos familiares de pacientes com câncer em colaborar de forma altruísta nos estudos de diagnóstico ultraprecoce e a dimensão humana que essa participação adquire para o futuro de outros pacientes.
“Os familiares nos ajudam de forma altruísta nos estudos de diagnóstico ultraprecoce. O envolvimento deles é extremamente valioso porque, com sua participação, estão contribuindo para que possamos pesquisar e avançar a fim de ajudar muitos outros pacientes e famílias no futuro”, destacou o diretor do HM CIOCC.
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