Europa Press/Contacto/Marco Iacobucci
MADRID 5 ago. (EUROPA PRESS) -
O primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, criticou veladamente as políticas migratórias do governo espanhol, na esteira da crise que ocorre atualmente em Ceuta, à qual ele repreendeu a “falta de regulamentação” para lidar com esse fenômeno, o que “muitas vezes tem um efeito de atração”.
“Nestes dias, estamos testemunhando, incrédulos, a falta de regras e de regulamentação para os fluxos migratórios, em que alguns insistem em adotar políticas que muitas vezes têm um efeito de atração: chamam as pessoas sem oferecer as condições necessárias para acolhê-las e integrá-las”, afirmou Montenegro, conforme informa a Lusa.
Uma clara alusão ao governo da Espanha que, ao contrário de Portugal, não está fazendo “o que deveria ser feito”, conforme afirmou nesta terça-feira o primeiro-ministro, à margem da inauguração da primeira unidade privada de saúde da família do país, no município lisboeta de Torres Vedras.
“Em Portugal, estamos fazendo o que deve ser feito. Estamos criando condições para que as pessoas tenham dignidade ao chegarem a Portugal”, ressaltou Montenegro, que define esses termos como “ter um emprego, uma moradia e (...) acesso à saúde, à educação e à mobilidade”.
Na semana passada, cerca de 70 mil pessoas entraram de forma irregular em Ceuta em apenas 24 horas, provocando uma crise migratória que o governo espanhol considera já superada, após ter devolvido praticamente todas elas ao Marrocos.
Nesta terça-feira, os ministros do Interior da UE se reuniram para discutir o ocorrido e concordaram em reforçar as fronteiras e as medidas de resposta para evitar que situações desse tipo se repitam no futuro.
Da mesma forma, e em meio às críticas à Espanha por parte de alguns parceiros europeus, como a Itália e os países nórdicos, Bruxelas também enfatizou nesta terça-feira que não vê “uma ligação direta” entre as políticas de regularização e o que aconteceu na semana passada em Ceuta.
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