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MADRID 21 maio (EUROPA PRESS) -
O uso precoce de antibióticos, as alterações na microbiota intestinal ou a poluição ambiental aumentam a incidência da esofagite eosinofílica (EEo), segundo a coordenadora do Grupo de Interesse em EEo da Sociedade Espanhola de Alergologia e Imunologia Clínica (SEAIC), Mª Robledo Ávila Castellano, que declarou ser razoável promover hábitos que favoreçam um “desenvolvimento imunológico adequado e a manutenção de uma microbiota saudável”.
A padronização dos processos diagnósticos e uma maior conscientização médica permitiram melhorar “significativamente” o reconhecimento e a capacidade diagnóstica da EEo, mas as evidências epidemiológicas atuais indicam que esse aumento “não pode ser explicado apenas por uma melhor capacidade diagnóstica, mas também por um aumento real da incidência”, conforme detalhou a especialista.
Ao mesmo tempo, a SEAIC lembrou que as mudanças alimentares próprias do estilo de vida ocidental ou a exposição a aeroalérgenos também poderiam desempenhar um papel importante no desenvolvimento da EEo.
A esofagite eosinofílica é uma doença inflamatória crônica do sistema imunológico na qual se acumulam glóbulos brancos (eosinófilos) no esôfago, o que desencadeia reações alérgicas a alimentos ou alérgenos ambientais, causando inflamação, dificuldade para engolir e dor.
Segundo os especialistas, a EEo mantém uma “estreita relação” com outras doenças alérgicas, como a asma alérgica, a rinite alérgica, a dermatite atópica ou a alergia alimentar. De fato, a maioria dos pacientes com esofagite eosinofílica apresenta pelo menos uma dessas doenças associadas.
Por sua vez, a coordenadora do Grupo de Interesse em EEo da SEAIC, Rosario González Mendiola, afirmou que todas essas doenças “compartilham mecanismos imunológicos semelhantes e uma base inflamatória comum”, o que ajuda a explicar por que muitos pacientes desenvolvem diferentes manifestações alérgicas ao longo da vida, sendo que a EEo pode surgir como “uma manifestação tardia”.
TRÊS VEZES MAIS FREQUENTE EM HOMENS
Por outro lado, a EEo é aproximadamente três vezes mais frequente em homens do que em mulheres, uma diferença que se mantém tanto na infância quanto na idade adulta.
“As pesquisas atuais apontam para uma interação complexa entre fatores hormonais, genéticos, imunológicos e epiteliais. Alguns estudos sugerem que determinadas variantes genéticas poderiam se expressar de forma diferenciada de acordo com o sexo ou interagir com fatores hormonais”, destacou González Mendiola.
Também estão sendo estudadas diferenças imunológicas e de sensibilização alérgica entre homens e mulheres, bem como alterações na função da barreira epitelial esofágica que poderiam influenciar essa predominância masculina.
"De fato, a hipótese mais avançada ('hipótese da barreira') aponta para uma lesão das barreiras cutâneo-mucosas gerada por diversos fatores ambientais, juntamente com uma predisposição individual, como a possível origem de muitas das doenças alérgicas, o que explicaria o aumento das taxas de incidência e prevalência nas sociedades mais industrializadas", concluiu.
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