MADRID 13 jun. (EUROPA PRESS) -
Uma nova pesquisa dinamarquesa descobriu que as correntes oceânicas se tornaram uma importante fonte de poluição por mercúrio no Ártico.
Apesar das reduções globais nas emissões de mercúrio, as concentrações na vida selvagem do Ártico continuam a aumentar. Um novo estudo publicado na Nature Communications por pesquisadores da Universidade de Aarhus e da Universidade de Copenhague revela que as correntes oceânicas podem estar transportando a poluição por mercúrio para o Ártico, o que representa uma ameaça de longo prazo aos ecossistemas e à saúde humana.
"Nós monitoramos o mercúrio em animais do Ártico por mais de 40 anos. Apesar da diminuição das emissões globais desde a década de 1970, não observamos uma diminuição correspondente nas concentrações no Ártico; pelo contrário", diz o professor Rune Dietz, da Universidade de Aarhus.
O mercúrio liberado na atmosfera por fontes como a combustão de carvão e a mineração de ouro pode permanecer no ar por cerca de um ano. Entretanto, quando entra no oceano, pode persistir por mais de 300 anos. Isso significa que, mesmo com as atuais reduções de emissões, o Ártico pode continuar a apresentar níveis elevados de mercúrio por séculos.
A PEGADA DO MERCÚRIO NA VIDA SELVAGEM DO ÁRTICO
Os pesquisadores analisaram mais de 700 amostras ambientais - incluindo tecidos de ursos polares, focas, peixes e turfa - da Groenlândia, coletadas nos últimos 40 anos. Ao examinar a composição de seis isótopos comuns de mercúrio, eles identificaram diferenças regionais distintas que se alinham aos padrões das correntes oceânicas.
"Essas assinaturas isotópicas funcionam como impressões digitais, revelando as fontes e as vias de transporte do mercúrio", explica o pesquisador principal Jens Sandergaard, da Universidade de Aarhus.
Por exemplo, o centro-oeste da Groenlândia é influenciado pelo influxo do Atlântico por meio da Corrente de Irminger, enquanto outras regiões são dominadas pelas correntes do Oceano Ártico.
IMPLICAÇÕES PARA A REGULAÇÃO GLOBAL DO MERCÚRIO
O mercúrio é uma neurotoxina potente. Nos predadores de topo do Ártico, como ursos polares e baleias dentadas, as concentrações são atualmente 20 a 30 vezes mais altas do que antes da industrialização. Isso representa sérios riscos à saúde, não apenas para a vida selvagem, mas também para as comunidades indígenas que dependem dos mamíferos marinhos como alimento.
"O mercúrio afeta o sistema imunológico, a reprodução e possivelmente as funções sensoriais dos animais, o que pode afetar sua sobrevivência", diz o professor Christian Sonne, da Universidade de Aarhus.
As descobertas têm implicações significativas para a Convenção de Minamata sobre Mercúrio da ONU, que tem como objetivo reduzir a poluição global por mercúrio. O estudo oferece uma possível explicação para o fato de os níveis de mercúrio na biota do Ártico permanecerem altos, apesar do declínio das emissões atmosféricas.
"O transporte de mercúrio das principais fontes, como a China, para a Groenlândia por meio de correntes oceânicas pode levar até 150 anos", diz Rune Dietz. "Isso ajuda a explicar por que os níveis de mercúrio no Ártico não foram reduzidos.
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