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MADRID 4 nov. (EUROPA PRESS) -
A polícia brasileira prendeu 33 pessoas suspeitas de pertencerem à facção Comando Vermelho no estado da Bahia em uma operação realizada na terça-feira, apenas seis dias depois da grande operação contra essa organização criminosa em duas favelas do Rio de Janeiro, que resultou em 121 mortes.
Os cerca de trinta presos fazem parte de uma lista de 90 supostos membros do núcleo armado e financeiro da organização na Bahia. As prisões foram efetuadas em presídios da capital, Salvador, mas também na região metropolitana, bem como em Fortaleza, no estado do Ceará.
Vários dos presos foram acusados de homicídios e tráfico de drogas em Salvador e outras cidades da Bahia. Além disso, como parte da operação, as autoridades bloquearam 50 contas bancárias, informa o G1.
As prisões de terça-feira fazem parte da polêmica Operação Liberdade, que na semana passada provocou uma sangrenta repressão nos bairros da Penha e Alemão, no Rio de Janeiro. No total, 121 pessoas foram mortas, quatro das quais eram policiais.
A própria Polícia Civil do Rio de Janeiro confirmou nas últimas horas que pelo menos 54 das vítimas fatais da operação, a mais mortal da história do estado, não estavam sob nenhuma exigência das autoridades.
Apesar das críticas, o governo fluminense comemorou o suposto sucesso da operação, da qual participaram cerca de 2.500 militares, e atribuiu o grande número de mortes à reação violenta dos moradores desses dois bairros. Foram efetuadas 113 prisões e apreendidas 118 armas e uma tonelada de drogas.
Cláudio Castro, no cargo de governador do Rio de Janeiro desde meados de 2021, tem a seu crédito quatro das operações policiais mais sangrentas da história do estado. Apenas alguns dias depois de assumir o cargo, houve o massacre do Jacarezinho, onde 25 pessoas morreram, incluindo um policial, e um ano depois, o massacre da Vila Cruzeiro, onde 23 pessoas foram mortas.
ONGs como a Anistia Internacional alertaram que esse "massacre policial" é um exemplo do padrão violento e racista que prevalece nesse tipo de operação. "Mais de cem pessoas, quase todas negras e pobres, foram mortas em uma ação planejada", denunciou a organização.
Fazendo eco aos relatos de organizações e moradores locais, a Anistia alertou que vários corpos foram encontrados com sinais que poderiam indicar execuções extrajudiciais. "As operações policiais no Brasil se tornaram sinônimo de terror, racismo e total falta de proteção", disse a organização.
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