Publicado 01/08/2025 08:05

A poeira do deserto favorece a formação de gelo nas nuvens

O vento transporta partículas de poeira do deserto do Saara por longas distâncias, permitindo a formação de nuvens de gelo.
DIEGO VILLENUEVA ORTIZ / ETH ZURICH)

MADRID 1 ago. (EUROPA PRESS) -

As partículas de poeira atmosférica dos desertos têm a capacidade de provocar a formação de cristais de gelo em nuvens no hemisfério norte da Terra.

Esse mecanismo sutil tem implicações importantes para as projeções climáticas, conclui uma nova pesquisa.

Com base em 35 anos de observações de satélite, uma equipe de pesquisa internacional liderada pela ETH Zurich descobriu que a poeira mineral (partículas minúsculas carregadas pelo vento e transportadas para a atmosfera superior) pode causar o congelamento de gotículas de nuvens. Esse processo é especialmente importante nas regiões do norte, onde as nuvens tendem a se formar em uma faixa de temperatura ligeiramente abaixo de zero.

"Onde há mais poeira, as nuvens têm muito mais probabilidade de congelar na parte superior", explica Diego Villanueva, pesquisador de pós-doutorado em Física Atmosférica na ETH Zurich e principal autor do estudo, em um comunicado.

Os pesquisadores se concentraram em nuvens contendo água e gelo super-resfriados, que se formam entre -39 °C e 0 °C. Essas nuvens são comuns em regiões de latitude média e alta, especialmente no Atlântico Norte, na Sibéria e no Canadá. Os pesquisadores demonstraram que essas nuvens são extremamente sensíveis às mudanças ambientais, especialmente à presença de núcleos de cristais de gelo, que se formam principalmente a partir de aerossóis de poeira do deserto.

Ao comparar a frequência das nuvens de gelo com o nível de poeira, os pesquisadores observaram um padrão notavelmente consistente: quanto mais poeira e frio, maior a frequência das nuvens de gelo. Além disso, de acordo com os pesquisadores, esse padrão correspondia quase perfeitamente aos experimentos de laboratório sobre como a poeira provoca o congelamento das gotículas.

"Esse é um dos primeiros estudos a mostrar que as medições de satélite da composição das nuvens correspondem ao que sabemos em laboratório", diz a coautora principal Ulrike Lohmann, professora de física atmosférica da ETH Zurich.

"A maneira como as nuvens formam cristais de gelo ou glacilato influencia diretamente a quantidade de luz solar que é refletida de volta para o espaço e a quantidade de água que elas liberam como precipitação", acrescenta Villanueva. Esses fatores são vitais para os modelos climáticos. Até o momento, porém, muitos desses modelos não têm um ponto de referência sólido sobre como a glaciação de nuvens realmente funciona em escala global.

As novas descobertas estabelecem uma relação mensurável entre a poeira transportada pelo ar e a abundância de gelo no topo das nuvens, fornecendo um ponto de referência crucial para melhorar as projeções climáticas. "Isso ajuda a identificar uma das peças mais incertas do quebra-cabeça climático", explica Villanueva.

Durante décadas, cientistas do clima e da atmosfera estudaram o congelamento de gotículas em microescala. Este estudo mostra, pela primeira vez, que a formação de gelo nas nuvens (ou glaciação) segue o mesmo padrão do congelamento de gotículas, mas em uma escala muito maior.

ENORME IMPACTO

As novas descobertas demonstram o enorme impacto que as minúsculas partículas de poeira podem ter na atmosfera: defeitos de tamanho nanométrico na superfície das partículas nas nuvens desencadeiam o congelamento de gotículas de água que se transformam em cristais de gelo de escala quilométrica. Isso amplia o campo de pesquisa atmosférica nessa área, desde a escala nanométrica até observações espaciais em grande escala.

No entanto, a conexão entre poeira e gelo não se manifesta igualmente em todo o mundo. Em regiões desérticas, como o Saara, a formação de nuvens é rara e o forte movimento do ar mais quente pode suprimir o congelamento. No hemisfério sul, os aerossóis marinhos geralmente atuam como poeira.

De acordo com a equipe de pesquisa, são necessários mais estudos para esclarecer a influência de outros fatores, como a intensidade da corrente ascendente ou a umidade, na glaciação das nuvens. Por enquanto, uma coisa é certa: minúsculas partículas de poeira de desertos distantes contribuem para a formação de nuvens no céu e, com elas, para o futuro do nosso clima.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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