GORODENKOFF/ISTOCK - Arquivo
MADRID 3 jul. (EUROPA PRESS) -
A pneumonia e a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), juntas, foram responsáveis por 165.789 internações hospitalares em 2023, o que representa 43,8% de todas as internações por doenças do aparelho respiratório registradas no Sistema Nacional de Saúde (SNS).
Dessa forma, ambas as patologias continuam sendo as principais causas de internação por doenças respiratórias na Espanha, de acordo com o relatório “NEUMOCAL 2025”, elaborado pela Sociedade Espanhola de Pneumologia e Cirurgia Torácica (SEPAR) e pela Fundação Instituto para a Melhoria da Assistência à Saúde (IMAS), que realiza uma análise do atendimento às doenças respiratórias no SNS.
“O ‘NEUMOCAL’ nos permite ter uma visão muito completa e homogênea de como as doenças respiratórias estão sendo tratadas no Sistema Nacional de Saúde. O relatório confirma que, embora a pneumologia espanhola tenha avançado em especialização e capacidade de atendimento, persistem diferenças significativas entre as regiões e desafios como a renovação geracional dos especialistas. Dispor dessas informações é fundamental para planejar recursos e reduzir as desigualdades no atendimento que os pacientes recebem”, destacou a doutora María Teresa Ramírez, membro da SEPAR e responsável pelo projeto ‘NEUMOCAL’.
Embora as altas concedidas pelos serviços de pneumologia se mantenham estáveis desde 2016 — provavelmente devido ao maior tratamento ambulatorial das diferentes patologias —, o estudo identifica um aumento de 35,2% nas internações por tromboembolismo pulmonar, com 2.441 internações a mais por ano nos hospitais do SNS.
No documento, também é possível observar como as internações por pneumonia sofreram um aumento durante o primeiro ano da pandemia da SARS-COVID-19, passando de 83.700 internações em 2019 para 149.773 altas em 2020, o que representa um aumento de cerca de 79% e mais de 66.000 internações adicionais em um único ano.
Além disso, o estudo também identifica diferenças regionais significativas nos resultados do atendimento a doenças respiratórias na Espanha, com variações na mortalidade bruta hospitalar por doenças respiratórias de até 77% entre as comunidades autônomas.
As Ilhas Canárias são a comunidade com a taxa mais alta, com 14,9% de mortalidade registrada, enquanto em Madri e na Cantábria essa taxa se situa em 8,4%, sendo a média nacional de 11%. Essas diferenças se mantêm ao analisar a mortalidade ajustada ao risco nas principais patologias.
Os dados do estudo refletem também o caráter multidisciplinar do atendimento respiratório. Em 2023, a medicina interna foi responsável por 52% das altas por doenças respiratórias e os serviços de pneumologia, por 25%, o que evidencia a estreita colaboração entre ambas as especialidades e com outros serviços clínicos.
ESTRUTURAS DE ATENDIMENTO CADA VEZ MAIS ESPECIALIZADAS
De acordo com o documento, a pneumologia espanhola desenvolveu estruturas de atendimento cada vez mais especializadas para lidar com a crescente complexidade das doenças respiratórias. Atualmente, 36% dos serviços de pneumologia dispõem de uma Unidade de Cuidados Respiratórios Intermediários (UCRI), 80% contam com unidades do sono e a mesma porcentagem realiza atividades de pneumologia intervencionista.
Além disso, 79% dos serviços dispõem de hospital-dia e metade oferece programas de internação domiciliar, o que reflete a diversificação progressiva da assistência respiratória e a aposta em modelos de atendimento mais eficientes, especializados e centrados nas necessidades do paciente.
O ‘NEUMOCAL’ estima uma disponibilidade média de 6,9 leitos hospitalares nos serviços de pneumologia para cada 100.000 habitantes, com uma média de 21 leitos por Serviço de Pneumologia.
Por outro lado, a pesquisa alerta para o envelhecimento do corpo de pneumologistas. De acordo com o estudo, a proporção de pneumologistas é de 4,1 especialistas para cada 100.000 habitantes, sendo que 26% deles têm 55 anos ou mais. O relatório destaca que a situação é especialmente preocupante na Andaluzia e na Comunidade Valenciana, onde 34% dos pneumologistas têm mais de 55 anos, bem como na Extremadura (32%) e em Aragão (31%), o que poderia comprometer a renovação geracional e a cobertura dos quadros de profissionais nos próximos anos.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático