Publicado 10/07/2026 06:27

Pneumologistas alertam que a fumaça dos incêndios pode agravar doenças respiratórias e cardiovasculares

Alertam que o risco é maior para crianças, idosos e mulheres grávidas

Helicóptero de combate a incêndios atua nas operações de extinção do incêndio em Pla de Manlleu, em 8 de julho de 2026, em Pla de Manlleu, Aiguamurcia, Tarragona, Catalunha (Espanha). Os Bombeiros da Generalitat estão trabalhando com 19 equipes nesta quar
Lorena Sopêna - Europa Press

MADRID, 10 jul. (EUROPA PRESS) -

A Sociedade Espanhola de Pneumologia e Cirurgia Torácica (SEPAR) alertou que a fumaça dos incêndios pode afetar a saúde respiratória e cardiovascular e recomendou minimizar ao máximo a exposição, especialmente entre as pessoas mais vulneráveis.

De acordo com dados do programa europeu Copernicus, os incêndios florestais já devastaram 50.384 hectares na Espanha, cerca de 40% de toda a área queimada na União Europeia no que vai de 2026. A Catalunha, Castela e Leão e a Andaluzia estão entre as comunidades autônomas mais afetadas.

“Este ano, estamos passando por uma temporada de incêndios especialmente precoce, com vários focos ativos ao mesmo tempo e de grande intensidade. Mas o perigo não está apenas nas chamas. A fumaça gerada contém partículas muito pequenas que podem atingir as zonas mais profundas dos pulmões e agravar doenças respiratórias e cardiovasculares. Embora possa afetar qualquer pessoa, o risco é maior para crianças, idosos, mulheres grávidas e pessoas que sofrem de doenças crônicas”, explicou o coordenador da Área de Pneumologia Ambiental e Ocupacional da SEPAR, Javier de Miguel.

A SEPAR lembra que a fumaça dos incêndios florestais é composta por partículas finas (PM2,5), monóxido de carbono, óxidos de nitrogênio, compostos orgânicos voláteis e outras substâncias tóxicas que podem penetrar profundamente no aparelho respiratório.

A exposição a esses poluentes pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, tosse ou dificuldade para respirar, além de desencadear crises asmáticas, broncoespasmos, infecções respiratórias e desequilíbrios em pessoas com doenças respiratórias crônicas.

Além disso, diversos estudos demonstraram que a inalação da fumaça aumenta o risco de complicações cardiovasculares e respiratórias, especialmente em pessoas vulneráveis. Mesmo quem não apresenta doenças pré-existentes pode sofrer uma diminuição da função pulmonar ou dor no peito após respirar ar contaminado pelos incêndios.

“A fumaça dos incêndios florestais é um risco à saúde que muitas vezes passa despercebido. Como seus efeitos nem sempre são percebidos imediatamente, é comum subestimar sua importância. No entanto, sabemos que ele pode desencadear crises de asma, agravar a DPOC, aumentar o número de atendimentos em serviços de emergência e favorecer problemas cardiovasculares. Por isso, a melhor maneira de se proteger é reduzir ao máximo a exposição à fumaça, sobretudo quando a qualidade do ar é ruim”, acrescentou De Miguel.

AS PESSOAS MAIS VULNERÁVEIS

A sociedade destaca que alguns grupos apresentam maior risco de sofrer complicações decorrentes da exposição à fumaça. Nas crianças, o sistema respiratório ainda está em desenvolvimento e, além disso, elas respiram uma quantidade maior de ar por quilo de peso do que os adultos, o que aumenta a quantidade de poluentes inalados.

Nos idosos, a deterioração progressiva dos sistemas respiratório e imunológico dificulta a resposta às partículas e gases presentes na fumaça. Já nas mulheres grávidas, a exposição tem sido associada a um maior risco de parto prematuro e baixo peso ao nascer.

Pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares devem manter seu tratamento habitual, ter sempre à mão a medicação de resgate prescrita e ficar atentas ao aparecimento de sintomas como tosse, chiado no peito ou dificuldade respiratória. Quando indicado, também se recomenda monitorar o fluxo espiratório máximo e evitar deslocamentos para áreas afetadas pela fumaça.

COMO SE PROTEGER

Para reduzir a exposição, a SEPAR recomenda permanecer em ambientes fechados com portas e janelas fechadas, utilizar sistemas de filtragem de ar — como purificadores com filtros HEPA ou o ar-condicionado no modo de recirculação, se disponível — e evitar atividades físicas ao ar livre enquanto a má qualidade do ar persistir.

Se for imprescindível sair ao ar livre, recomenda-se o uso de máscaras FFP2 ou N95, já que as máscaras cirúrgicas não filtram as partículas mais finas presentes na fumaça. Além disso, é importante manter uma boa hidratação e prolongar essas medidas de precaução mesmo nos dias seguintes ao combate aos incêndios, já que as partículas poluentes podem permanecer em suspensão.

Em caso de sintomas leves, como tosse ou irritação nos olhos e na garganta, basta afastar-se da área afetada, permanecer em um ambiente com ar limpo e manter uma hidratação adequada. Se surgirem dificuldade respiratória leve, sibilâncias ou dor no peito, deve-se utilizar a medicação de resgate, quando prescrita, e consultar um profissional de saúde. Em caso de dificuldade respiratória intensa, opressão no peito, confusão ou coloração azulada nos lábios ou na pele, é imprescindível procurar imediatamente um pronto-socorro ou ligar para o serviço de emergência.

A SEPAR ressalta que, durante episódios de incêndios florestais, a fumaça representa um risco à saúde mesmo a vários quilômetros do foco do incêndio. Por isso, recomenda-se seguir as orientações das autoridades de saúde, consultar os índices de qualidade do ar antes de realizar atividades ao ar livre e redobrar as medidas de proteção, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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