Publicado 23/07/2026 06:40

Pneumologistas alertam que o calor intenso agrava a asma e a DPOC e pode piorar as bronquiectasias

Archivo - Arquivo - Homem com DPOC, oxigênio, respirar
WWING/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 23 jul. (EUROPA PRESS) -

A Sociedade Espanhola de Pneumologia e Cirurgia Torácica (SEPAR) alertou que as altas temperaturas podem favorecer o aparecimento de sintomas e exacerbações da asma, aumentar as internações e até mesmo as mortes por DPOC, além de influenciar negativamente a evolução das bronquiectasias, embora as evidências científicas sobre essa última doença ainda sejam mais limitadas.

Os pneumologistas destacam, no âmbito do Ano SEPAR 2026-2027 das Vias Aéreas, focado na asma, na doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e nas bronquiectasias, que as pessoas com essas doenças respiratórias crônicas são mais vulneráveis às altas temperaturas.

Assim, as evidências científicas mostram que as ondas de calor estão associadas a um aumento da morbimortalidade respiratória, especialmente em pacientes mais vulneráveis. Embora existam mecanismos comuns, os especialistas ressaltam que o impacto não é o mesmo em todas as doenças.

“Nos últimos anos, foram publicados trabalhos muito interessantes. Se eu tivesse que destacar um, seria o de Zhu e colaboradores, no qual é apresentada uma visão global das evidências disponíveis até o momento, e evidencia que as temperaturas extremas têm um impacto relevante sobre a saúde respiratória, especialmente em pessoas com doenças respiratórias crônicas”, afirmou o pneumologista e membro do Comitê do Ano da SEPAR sobre as Vias Aéreas, Juan Marco Figueira.

Por sua vez, o especialista destacou que, no caso da DPOC, as publicações mais recentes mostram de forma consistente uma maior frequência de exacerbações, internações hospitalares e mortalidade durante as ondas de calor. “No caso das bronquiectasias, embora ainda tenhamos menos informações, começam a surgir estudos que apontam para uma maior vulnerabilidade diante das temperaturas extremas”, acrescentou.

MAIS ATENDIMENTOS EM PRONTO-SOCORRO POR ASMA

No caso da asma, as altas temperaturas podem favorecer o surgimento de sintomas e aumentar o risco de exacerbações, especialmente quando coincidem com outros fatores ambientais, como a poluição atmosférica. As evidências disponíveis indicam que os episódios de calor podem piorar o controle da doença e aumentar a utilização de recursos de saúde.

Uma metanálise internacional publicada na revista “European Respiratory Review” constatou que as ondas de calor aumentam em 18% o risco de atendimentos em pronto-socorro por exacerbações asmáticas. Além disso, outros estudos, como o publicado na revista “Thorax”, observaram que, para cada aumento de 1 °C na temperatura média durante o verão, o risco de hospitalização por asma aumenta aproximadamente 1,1%.

No caso da DPOC, a relação com as altas temperaturas é especialmente relevante. O estudo publicado na revista “European Journal of Preventive Cardiology”, realizado em 48 províncias espanholas, mostra que as altas temperaturas aumentam em 26% o risco de hospitalização por DPOC e em 63% o risco de mortalidade por essa doença. Esse impacto é especialmente significativo em pessoas idosas, que apresentam maior vulnerabilidade aos efeitos das altas temperaturas.

No caso das bronquiectasias, as evidências ainda são mais limitadas, mas os estudos disponíveis sugerem que as altas temperaturas também podem influenciar negativamente a evolução da doença. Nesse caso, há evidências emergentes, mas ainda não consistentes, sobre como as mudanças climáticas influenciam essa patologia.

Atualmente, sabe-se que as altas temperaturas favorecem a formação de ozônio troposférico, um dos poluentes secundários do ar. Um estudo publicado na revista “eBioMedicine” constatou que um aumento nos níveis de ozônio no ar (equivalente ao intervalo interquartil [IQR] de 56,1 g/m) foi associado a um aumento de 4,36% na mortalidade por bronquiectasias.

“Um dos grandes desafios que temos pela frente é nos adaptarmos a essa nova realidade. As ondas de calor já não são episódios excepcionais. Isso significa que teremos que integrar esse fator à nossa prática clínica habitual, reforçando a prevenção e oferecendo recomendações aos pacientes para que se protejam durante os episódios de calor extremo”, informa Figueira.

RECOMENDAÇÕES CONTRA O CALOR PARA ASMA, DPOC E BRONQUIECTASIAS

A principal recomendação da SEPAR é evitar a exposição ao calor intenso, especialmente durante as horas centrais do dia, e procurar permanecer em ambientes frescos sempre que possível. Também é importante manter uma hidratação adequada e reduzir a atividade física ao ar livre durante as ondas de calor.

Quando houver episódios de fumaça causados por incêndios florestais ou as autoridades alertarem sobre a má qualidade do ar, é aconselhável limitar a exposição ao ar livre e seguir as recomendações oficiais.

Outro aspecto fundamental é não interromper o tratamento durante o verão ou as férias. É relativamente comum que alguns pacientes relaxem a adesão ao tratamento quando se sentem bem, mas manter o tratamento inalatório é uma das melhores medidas para prevenir exacerbações.

Além disso, em pacientes com bronquiectasias, é importante continuar com as medidas habituais de higiene brônquica e procurar atendimento médico precocemente caso surjam alterações na expectoração ou um agravamento da disnea.

Nos pacientes que recebem oxigenoterapia domiciliar, é aconselhável redobrar as precauções durante as ondas de calor, mantendo o concentrador em um local bem ventilado e seguindo as recomendações da equipe de saúde.

Por fim, é importante lembrar que abandonar o tabagismo continua sendo a intervenção que mais impacta a evolução das doenças respiratórias.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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