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MADRID 29 maio (EUROPA PRESS) -
Os cigarros eletrônicos podem causar lesões pulmonares, asma e dependência da nicotina em idades cada vez mais precoces, mesmo que o consumo seja esporádico, segundo a pneumologista da Olympia Quirónsalud, Ana Castillo Durán.
O tabagismo continua sendo uma das principais ameaças à saúde pública e uma das mais importantes causas de morte evitável no mundo. No entanto, além do cigarro tradicional, os especialistas demonstram “uma preocupação crescente” com a normalização do vaporizador e dos novos dispositivos de nicotina, especialmente entre adolescentes e jovens adultos.
Por ocasião do Dia Mundial Sem Tabaco, comemorado em 31 de maio, Castillo Durán ressaltou que, embora os cigarros eletrônicos e vaporizadores sejam geralmente vistos como uma alternativa mais segura, também se inala nicotina e outras substâncias para as quais o corpo “não está preparado”.
A pneumologista afirmou que o vaporizador é apresentado como algo moderno, tecnológico ou menos prejudicial, o que “reduz enormemente a percepção do risco, sobretudo entre os mais jovens”.
“Quando alguém usa o vaporizador em uma esplanada, um show ou uma boate, transmite-se a mensagem de que isso é aceitável e cotidiano”, observou.
FALSA SENSAÇÃO DE CONTROLE
Segundo a especialista, um dos aspectos que mais preocupa nas consultas é a falsa sensação de controle em torno do consumo ocasional, já que muitas pessoas acreditam que fumar apenas nos fins de semana ou em ocasiões sociais não traz consequências, mas Castillo Durán insistiu que “não existe uma dose segura de tabaco”.
Mesmo o consumo esporádico pode deixar marcas na saúde respiratória, com afecções como tosse persistente, expectoração matinal, infecções respiratórias recorrentes ou uma perda progressiva da capacidade pulmonar.
“Os danos do tabaco não começam quando surge uma doença grave. Começam muito antes, com sintomas que muitas vezes banalizamos”, explicou.
Entre as doenças relacionadas ao tabagismo que mais preocupam os pneumologistas destacam-se o câncer de pulmão e a DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), patologias que cada vez mais são diagnosticadas em pacientes mais jovens. A isso se soma o impacto do vaporizador, associado a lesões pulmonares graves como a EVALI — lesão pulmonar associada ao uso de cigarros eletrônicos —, que pode chegar a exigir internação na UTI.
Apesar disso, os especialistas lembraram que abandonar o tabaco continua sendo uma das decisões médicas “mais benéficas” para a saúde. As mudanças positivas começam logo nas primeiras horas após parar de fumar, com melhora na respiração, no olfato, no paladar e na tolerância ao esforço.
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