Publicado 10/03/2026 11:16

Pneumologista alerta que 70% dos pacientes com DPOC são diagnosticados em fases avançadas

Archivo - Arquivo - Homem com DPOC, oxigênio, respirar
WWING/ ISTOCK - Arquivo

Os pacientes com DPOC estão cada vez mais jovens e há cada vez mais casos em mulheres MADRID 10 mar. (EUROPA PRESS) -

Setenta por cento dos pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) já se encontram em estágio avançado no momento do diagnóstico, segundo a especialista em pneumologia e chefe da seção do Serviço de Pneumologia do Hospital Clínico San Carlos de Madri, Myriam Calle.

Calle, na jornada de formação “EPOC na linha de frente: chaves para compreender uma doença invisível”, organizada pela Associação Nacional de Informantes de Saúde (ANIS), explicou que apenas 20% das pessoas com sintomas respiratórios desta doença procuram um médico. De fato, atualmente, e há vinte anos, apenas um em cada quatro pacientes com DPOC é diagnosticado. Esse diagnóstico tardio afeta a mortalidade e a qualidade de vida dos pacientes, já que a maioria deles já perdeu “muita função pulmonar e é quando surgem essas complicações”, limitando as possibilidades de intervenção precoce e melhora clínica.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a DPOC é a quarta causa de doença no mundo e estima-se que afete três milhões de pessoas e cause cerca de 11 mil mortes na Espanha. Nesta doença respiratória, ocorre uma obstrução, um dano nas vias respiratórias, e esse dano é “uma consequência de uma resposta inflamatória a agentes que inalamos, e um desses agentes é o tabaco”.

“É uma doença que ocorre devido à exposição contínua a agentes ambientais, a agentes que inalamos, que produzem um processo inflamatório”, explicou. De acordo com a Sociedade Espanhola de Pneumologia, a prevalência desta doença irá aumentar porque está associada ao envelhecimento, à poluição e à exposição ao tabaco. Além disso, as novas formas de fumar, a longo prazo, irão aumentar o número de casos de DPOC. ALTA MORTALIDADE Nesta doença, as exacerbações são “muito frequentes” e os pacientes, ao serem diagnosticados habitualmente em fases avançadas, sofrem de insuficiência respiratória e requerem atendimento nas urgências. “A mortalidade associada a uma exacerbação da DPOC que requer hospitalização é superior à mortalidade associada a um infarto agudo do miocárdio”, afirmou a pneumologista. Os pacientes com DPOC, em grandes cidades como Madri, são cada vez mais jovens e há cada vez mais casos em mulheres. De acordo com um estudo realizado em 2017, a prevalência desta doença em Madri era de 16% nas mulheres e de 11% nos homens. Muitas das pessoas com sintomas são ex-fumantes e associam “esses sintomas de tosse e expectoração” apenas ao tabaco, e “não querem ir ao médico porque sabem que terão que parar de fumar”.

Nesse sentido, eles enfatizaram a importância de uma gestão adequada da saúde nos centros de atenção primária, para que, além das ferramentas necessárias para tratar a doença, seja facilitada a formação e a organização para poder realizar uma espirometria.

As terapias inalatórias baseiam-se em broncodilatadores que atuam sobre essa obstrução das vias aéreas, mas também é necessário se concentrar na prevenção das exacerbações, nas quais os corticosteroides inalatórios têm um papel relevante.

Por outro lado, as terapias biológicas, que já são utilizadas há anos no tratamento da asma, poderiam ajudar até 30 ou 40% dos pacientes com DPOC. Na verdade, existem duas terapias biológicas aprovadas que reduzem em 35% as exacerbações em pacientes muito graves com terapia inalatória máxima, mas que estão pendentes de financiamento.

IMPACTO EMOCIONAL Esta doença faz com que os pacientes vejam sua vida limitada por sensações como falta de ar ou incapacidade de serem autossuficientes, o que aumenta as chances de sofrer de ansiedade ou depressão. A reabilitação respiratória e a fisioterapia são necessárias para combater a perda de atividade e a consequente perda de massa muscular. María Martín, paciente com DPOC há 11 anos, afirmou que, no início, ninguém sabia informá-la sobre a doença e ela teve que aprender a “gerenciar sua própria doença”. Ao mesmo tempo, ela afirmou ter “bastante esperança” nos tratamentos biológicos.

Além disso, as unidades especializadas em DPOC chegam apenas a 50 ou 60 por cento dos centros hospitalares, enquanto que em outras doenças, como a asma, essa porcentagem é muito maior. A porta-voz e assessora técnica da associação de pacientes com DPOC, APEPOC, Nicole Hass, enfatizou que pessoas que já sofreram infecções respiratórias têm maior probabilidade de ter essa doença. Hass destacou o papel fundamental do cuidador, especialmente dos pacientes mais idosos. Como explicou a porta-voz, a medicina deve ser preventiva, preditiva, personalizada, participativa e populacional, e os cidadãos dos 17 sistemas de saúde devem ter “o mesmo acesso a terapias e tratamentos”. DESCONHECIMENTO DA DOENÇA

O presidente da EPOC Espanha, Iñaki Morán, revelou que, em uma pesquisa realizada na rua, apenas duas em cada dez pessoas sabiam o que significava a sigla dessa doença, apesar de entre 2% e 3% das internações hospitalares serem causadas por exacerbações. Além disso, ele destacou que também há pacientes como ele que nunca fumaram. Morán ressaltou a importância da inovação e da pesquisa, pois os tratamentos atuais estão “há 15 anos praticamente inalterados”. TERAPIAS QUE REDUZEM AS AGRAVAÇÕES

Por sua vez, o presidente da Federação Espanhola de Associações de Pacientes Alérgicos e com Doenças Respiratórias (FENAER), Mariano Pastor, defendeu que “é preciso quebrar o estigma de que a DPOC é uma doença autoinfligida pelo tabagismo”.

Por sua vez, ele destacou a necessidade de tratamentos biológicos, a implementação da reabilitação respiratória e a conexão entre os níveis de assistência especializada em atendimento hospitalar e atendimento primário.

Olhando para o futuro, a Dra. Myriam Calle afirmou que esta doença será cada vez mais comum em populações mais jovens, uma vez que a idade para começar a fumar é cada vez mais baixa e a isso se somam novas formas de fumar, como cigarros eletrónicos ou vaporizadores.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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