Publicado 11/09/2025 12:16

Plantas invasoras estão transformando ecossistemas em três continentes

Um elefante come algumas plantas invasoras. Os elefantes ou outros herbívoros de grande porte são um exemplo de solução natural que pode ajudar a resolver o problema.
WILDLIFE SOS—SURYODAY SINGH MANN

MADRID 11 set. (EUROPA PRESS) -

As espécies invasoras estão transformando os ecossistemas e a relação das populações locais com a natureza nos trópicos.

Uma nova pesquisa encontrou aproximadamente dez mil plantas exóticas nos grandes trópicos, uma área composta pelas zonas tropicais e subtropicais do mundo. As ilhas, em particular, são pontos críticos de invasão e algumas abrigam mais plantas exóticas do que nativas, explica Avinash Mungi, pesquisador da Universidade de Aarhus e principal autor do estudo, publicado na Nature Reviews Biodiversity.

Mas, de forma alarmante, a maioria das espécies exóticas não é um problema. "Muitas espécies exóticas são importadas por sua utilidade e valor, mas poucas escapam e se tornam invasoras, com impactos indesejáveis", diz ele.

Em colaboração com cientistas do Brasil, da Etiópia, da Índia e dos Estados Unidos, os autores combinaram seus conhecimentos com um grande conjunto de evidências científicas que fornecem percepções cruciais sobre a rápida evolução dos grandes trópicos.

O CASO DA LANTANA

Na Índia, por exemplo, grandes áreas foram invadidas pela planta invasora Lantana camara, ou lantana, como é popularmente conhecida.

"No século passado, grandes áreas nas Ghats (montanhas) ocidentais da Índia foram invadidas pela lantana. Isso fez com que o povo Soliga, nativo e dependente da floresta, abandonasse seu meio de vida tradicional e migrasse em busca de alternativas", diz ele.

A lantana é nativa das Américas tropicais. Foi trazida para a Europa por exploradores holandeses no final do século XVII. Na Europa, tornou-se rapidamente popular como planta ornamental de jardim e, logo depois, os portugueses a levaram para suas colônias, incluindo a Índia.

Atualmente, a lantana se espalhou por grande parte dos trópicos. Na Austrália, estima-se que 4 milhões de hectares de terra estejam infestados com a erva daninha. No Havaí, esse número é de 160.000 hectares. E na Índia, a Lantana invadiu 30 milhões de hectares. Em outras palavras, a planta invasora é um grande problema em todo o mundo, explica Avinash Mungi.

"Plantas invasoras como a lantana suprimem competitivamente as plantas alimentícias nativas em florestas e savanas. A escassez de alimentos faz com que os herbívoros diminuam, o que afeta ainda mais os carnívoros. Já vimos exemplos de tigres atacando gado quando os herbívoros diminuem.

"Isso tende a acontecer em áreas muito pobres, onde as pessoas dependem muito dos ecossistemas. As plantas invasoras não apenas enfraquecem os ecossistemas, mas também podem criar conflitos com a vida selvagem, interrompendo assim o relacionamento das pessoas com a natureza."

UM PROBLEMA TÃO ANTIGO QUANTO A AGRICULTURA

A introdução de novas plantas nos ecossistemas de todo o mundo não é uma ocorrência moderna. Ela vem ocorrendo desde o início da agricultura. Mas estudos mostram que esse fenômeno se acelerou nos últimos anos.

"Historicamente, os trópicos têm sido transformados pela humanidade há milhares de anos. Mas o ritmo mudou durante a era colonial. A humanidade trouxe espécies de colônia em colônia, espalhando plantas e animais pelos trópicos. O comércio global após a Segunda Guerra Mundial acelerou ainda mais o processo. Hoje, a troca de espécies é constante", explica Avinash Mungi.

Embora o fenômeno seja antigo, ele só foi mapeado e estudado recentemente. E os novos estudos oferecem uma visão ainda mais ampla do problema.

"O desmatamento causado pelo homem, a extinção da vida selvagem, a poluição e as mudanças no uso da terra são fatores importantes para a disseminação de plantas invasoras. Essas mudanças enfraquecem o controle natural sobre as plantas exóticas, facilitando sua disseminação. Portanto, as plantas invasoras são, inicialmente, distúrbios transitórios, mas, com o passar do tempo, elas se tornam seus propulsores", diz ele.

A mudança climática está causando o colapso e a degradação generalizados dos ecossistemas, tornando-os mais vulneráveis a espécies invasoras. O estudo destaca como os incêndios florestais, o aumento das temperaturas e a exploração madeireira estão contribuindo para o murchamento e a morte de árvores e plantas na Amazônia.

"Na Amazônia, as gramíneas invasoras estão catalisando esse colapso, alimentando incêndios florestais, impedindo a regeneração nativa e, em última análise, contribuindo para o aumento das emissões de CO2", explica.

"Paradoxalmente, o aumento dos níveis de CO2 na atmosfera sustenta as plantas lenhosas em vez das gramíneas nas savanas dos trópicos. Aqui, as plantas lenhosas invasoras se beneficiam do CO2, da supressão de incêndios e da perda de grandes herbívoros.

O BOM, O RUIM E O NOVO

De acordo com os dois principais pesquisadores do estudo, é importante separar as espécies exóticas com impactos neutros e positivos daquelas com impactos indesejáveis, que costumamos chamar de invasoras.

"Embora as espécies invasoras exijam um gerenciamento específico, as espécies exóticas mais neutras podem, às vezes, desempenhar um papel ecológico positivo, especialmente quando as espécies nativas enfrentam uma mudança climática ou foram eliminadas pela ação humana", explica o professor Jens-Christian Svenning, coautor do estudo.

A mudança climática global, combinada com essas espécies exóticas, está levando ao desenvolvimento de novos ecossistemas em todo o mundo. Esses ecossistemas podem se tornar mais estáveis em um clima em mudança.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contenido patrocinado