MADRID 28 maio (EUROPA PRESS) -
A presidente do Conselho Espanhol do Cérebro (CEC), Mara Dierssen, apresentou na quarta-feira o Plano Espanhol do Cérebro, que servirá de roteiro para enfrentar um "desafio" de saúde pública como os transtornos cerebrais, que afetam 43% dos espanhóis e são a principal causa de incapacidade e a segunda causa de morte no país.
"O Plano do Cérebro da Espanha não é apenas um documento estratégico: é um compromisso com milhões de pessoas afetadas por doenças neurológicas e mentais em nosso país", disse Dierssen durante uma coletiva de imprensa, na qual ela enfatizou a urgência de o Estado "assumir uma liderança clara" para garantir que nenhuma pessoa seja "deixada para trás" por motivos geográficos, econômicos ou sociais.
A estratégia está estruturada em cinco áreas principais, como dados, avaliação do impacto dos distúrbios cerebrais, criação de registros nacionais e um Observatório Ibérico de Patologia Cerebral, que serão acompanhados pela medição do impacto econômico e uma análise de custo-benefício das intervenções.
Da mesma forma, o objetivo é garantir um atendimento clínico equitativo e sustentado, para o qual serão criados protocolos para reduzir as desigualdades entre as comunidades autônomas; e será promovido o atendimento precoce e o acompanhamento de longo prazo desses pacientes, integrando serviços de saúde, sociais e educacionais.
O documento também visa a impulsionar a pesquisa neurocientífica, o que exigirá um aumento "substancial" no financiamento; criar uma infraestrutura nacional de pesquisa do cérebro, como biobancos, plataformas de dados ou bancos de cérebros; e reduzir as barreiras burocráticas aos testes clínicos e promover modelos inovadores, como o "n=1".
O quarto eixo gira em torno da promoção e prevenção da saúde do cérebro, por meio de atividades como campanhas públicas sobre fatores de risco e autocuidado com o cérebro, treinamento especializado para profissionais de saúde, especialmente na atenção primária, e a inclusão da saúde do cérebro no currículo escolar.
Por fim, será promovida a participação dos pacientes e da sociedade na tomada de decisões em pesquisas e na elaboração de políticas, por meio de eventos de ciência cidadã, divulgação e combate à desinformação. Além disso, o papel dos cuidadores será reconhecido por meio de apoio estrutural.
UM PLANO PARA UM DOS MAIORES DESAFIOS CIENTÍFICOS
A Secretária Geral de Pesquisa do Ministério da Ciência, Inovação e Universidades, Eva Ortega Paíno, disse que esse plano representa "muito mais" do que o lançamento de uma estratégia e o considerou um "ponto de partida" para enfrentar um dos "maiores desafios científicos, clínicos e sociais" da atualidade, como os distúrbios cerebrais.
"Também sabemos que muitas dessas condições têm raízes profundas no funcionamento e na saúde de nossos cérebros. É por isso que falar sobre o cérebro é falar sobre saúde mental, e falar sobre saúde mental é falar sobre muitos outros conceitos, como dignidade, direitos, qualidade de vida e também, é claro, o investimento que fazemos em ciência", acrescentou.
Por sua vez, o diretor de Saúde Pública do Ministério da Saúde, Pedro Gullón, enfatizou que o plano não apenas enfatiza as inovações tecnológicas e o diagnóstico precoce, mas também se concentra no "cuidado" das pessoas.
Ele também explicou que todos os elementos contidos na estratégia devem ser introduzidos em coordenação com as comunidades autônomas, de modo que, na prática, "acabe atingindo a realidade" das pessoas que têm algum sofrimento mental ou outro mais cerebral.
Por fim, o presidente da Associação Médica Espanhola (OMC), Tomás Cobo Castro, que foi o anfitrião do evento na sede da organização, explicou que uma saúde cerebral mais precária na população significará que a economia será menos produtiva, menos inovação e menos riqueza serão geradas e, portanto, menos crescimento econômico a longo prazo.
"É por isso que este plano é tão importante, porque o que o plano pretende fazer é garantir que o que está caindo na banheira seja muito maior do que o que está vazando pelo ralo, de modo que o 'estoque' de riqueza, de capital cerebral que temos em nosso país, seja cada vez maior", concluiu Castro com uma analogia.
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