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MADRID 27 maio (EUROPA PRESS) -
O planejamento de vacinação antes de uma viagem deve ser feito com antecedência e consultado pelo menos entre quatro e oito semanas antes da partida, para avaliar as medidas preventivas necessárias e permitir que o organismo desenvolva uma resposta imunológica suficiente antes da viagem, segundo o diretor do Serviço de Doenças Infecciosas da Clínica Universidade de Navarra, José Luis Del Pozo.
“Em determinadas épocas do ano, os centros de vacinação internacional podem ter uma demanda elevada, por isso é aconselhável não deixar essa consulta para a última hora. De qualquer forma, mesmo quando a viagem é iminente, uma consulta especializada em medicina do viajante continua sendo útil para revisar vacinas, quimioprofilaxia, medidas contra picadas, diarreia do viajante e outros riscos à saúde”, indicou.
O acompanhamento médico deve continuar após o retorno da viagem, pois algumas infecções tropicais podem passar despercebidas ou se manifestar semanas após o retorno com sintomas leves, como cansaço, febre baixa ou desconfortos digestivos.
PREVENIR INFECÇÕES E PROBLEMAS DE SAÚDE
Por sua vez, a responsável pelo Serviço de Doenças Infecciosas da Clínica Universidade de Navarra em Madri, Nerea Carrasco, afirmou que o aumento das viagens internacionais, a popularização de destinos tropicais e o aumento de turistas de idade mais avançada ou com patologias pré-existentes tornaram a consulta do viajante uma ferramenta cada vez “mais relevante” para prevenir infecções e problemas de saúde durante e após a viagem.
“Dependendo do destino, tanto do país quanto da cidade, do tipo de atividade que será realizada lá e do perfil do viajante, com base em sua idade e se ele tem doenças pré-existentes, podem ser recomendadas vacinas contra doenças como dengue, raiva ou encefalite japonesa, além de tratamentos preventivos para malária ou febre tifóide. Ou, inclusive, revisar o calendário de vacinação, já que a população com mais de 30-40 anos não está vacinada contra algumas recomendações atuais”, reconheceu.
Nesse contexto, os especialistas alertaram que a febre tifóide continua sendo uma “infecção muito frequente e pouco conhecida” entre os viajantes, apesar de poder ser facilmente prevenida por meio da vacinação. Também enfatizaram que os riscos infecciosos não afetam apenas destinos africanos ou safáris, já que países da América do Sul, América Central ou do Sudeste Asiático — como Tailândia, Vietnã ou Camboja — apresentam surtos frequentes de doenças transmitidas por mosquitos, como dengue ou malária.
“Não precisamos ficar muito doentes ou precisar de internação para ter uma infecção. Na verdade, às vezes os sintomas podem aparecer mais tarde e o viajante não associa esses sintomas a um episódio que teve durante a viagem”, observou Nerea Carrasco.
Além disso, algumas doenças como a malária ou certos parasitas intestinais podem ser detectadas por meio de exames simples e tratadas precocemente, antes que gerem complicações.
DIARREIA DO VIAJANTE
A diarreia do viajante continua sendo a infecção mais comum durante viagens internacionais e, embora muitas pessoas associem o risco apenas ao consumo de água, os especialistas lembraram que verduras cruas, saladas, gelo ou frutas descascadas também podem ser uma importante fonte de contágio se tiverem sido manuseadas com água não potável.
Por isso, recomendam dar prioridade a alimentos cozidos, frutas com casca, bebidas engarrafadas e redobrar as medidas de higiene durante a viagem.
José Luis Del Pozo, por fim, garantiu que a proteção contra picadas de mosquitos é outra das “precauções essenciais”. Por esse motivo, ele aconselhou o uso de repelentes, roupas de manga comprida, mosquiteiros e evitar a exposição em determinados horários, além da medicação preventiva no caso de alguns destinos.
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