Publicado 17/04/2026 07:11

Pessoas com HIV não apresentam maior risco de câncer após um transplante de fígado, de acordo com um estudo multicêntrico espanhol

Pessoas com HIV não apresentam maior risco de câncer após um transplante de fígado, de acordo com um estudo multicêntrico espanhol
CIBER

MADRID 17 abr. (EUROPA PRESS) -

Pessoas com HIV não apresentam maior risco de câncer após um transplante de fígado, segundo revelou um estudo multicêntrico liderado pelo Grupo de Estudo sobre a AIDS (GeSIDA) da Sociedade Espanhola de Doenças Infecciosas e Microbiologia Clínica (SEIMC) e gerenciado pela Fundação de ambas e por equipes dos Centros de Pesquisa Biomédica em Rede de Doenças Infecciosas (CIBERINFEC) e de Doenças Hepáticas e Digestivas (CIBEREHD).

“Esses resultados contribuem para dissipar uma das principais preocupações históricas em torno do transplante de órgãos sólidos em pessoas com HIV”, indicou o chefe do grupo do primeiro desses CIBER no Hospital Clinic de Barcelona e no Instituto de Pesquisas Biomédicas August Pi i Sunyer (IDIBAPS), o Dr. José María Miró, que liderou este trabalho prospectivo.

Em sua opinião, trata-se da “possibilidade de que a imunossupressão necessária para evitar a rejeição, somada à alteração imunológica associada ao vírus, aumentasse substancialmente o risco oncológico”. “As evidências geradas indicam que, no contexto atual de tratamento antirretroviral eficaz e acompanhamento especializado, essa população não apresenta um perfil de risco diferenciado”, afirmou.

Portanto, esta pesquisa, realizada com mais de 1.000 receptores de transplante e publicada na revista especializada 'Clinical Infectious Diseases', pertencente à Sociedade Americana de Doenças Infecciosas (IDSA), traz evidências sólidas sobre os benefícios do transplante de órgãos nessa população.

Para chegar a essa conclusão, foi analisada a ocorrência de tumores pela primeira vez após o transplante em uma coorte de 272 receptores com HIV e 816 receptores sem infecção, todos submetidos a transplante de fígado entre 2002 e 2012 e acompanhados durante um período prolongado com mediana superior a cinco anos. Foram excluídos deste estudo a recorrência do carcinoma hepatocelular e os cânceres de pele não melanoma, concentrando-se em tumores sólidos e hematológicos clinicamente mais relevantes.

RESULTADOS

Embora as pessoas com HIV fossem um pouco mais jovens no momento do transplante, a incidência de câncer foi comparável entre os dois grupos, conforme revela este trabalho, que mostra que, durante o acompanhamento, 5,9% desses pacientes e 7,5% das pessoas não infectadas desenvolveram um tumor maligno, uma diferença que não atingiu significância estatística. De fato, a incidência acumulada em cinco e dez anos foi praticamente idêntica em ambos os grupos, situando-se acima de 6% e entre 12% e 13%, respectivamente.

Quanto aos tumores mais frequentes diagnosticados após o transplante, estes foram o linfoma não-Hodgkin, o câncer de pulmão e os de cabeça e pescoço, um padrão semelhante ao descrito na população geral transplantada. Além disso, não foram observadas diferenças relevantes entre pessoas com e sem HIV quanto ao momento de aparecimento, à distribuição dos tipos tumorais e ao estágio no momento do diagnóstico de câncer.

Por fim, esta pesquisa constatou que a sobrevida após o diagnóstico de câncer também não variou de acordo com o estado sorológico. O único fator associado ao desenvolvimento de tumores foi a idade mais avançada no momento do transplante, o que reforça a ideia de que o risco está mais ligado ao envelhecimento e à exposição acumulada a fatores carcinogênicos do que à infecção pelo HIV em si, concluíram os autores.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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