MADRID 17 abr. (EUROPA PRESS) -
Pessoas com HIV não apresentam maior risco de câncer após um transplante de fígado, segundo revelou um estudo multicêntrico liderado pelo Grupo de Estudo sobre a AIDS (GeSIDA) da Sociedade Espanhola de Doenças Infecciosas e Microbiologia Clínica (SEIMC) e gerenciado pela Fundação de ambas e por equipes dos Centros de Pesquisa Biomédica em Rede de Doenças Infecciosas (CIBERINFEC) e de Doenças Hepáticas e Digestivas (CIBEREHD).
“Esses resultados contribuem para dissipar uma das principais preocupações históricas em torno do transplante de órgãos sólidos em pessoas com HIV”, indicou o chefe do grupo do primeiro desses CIBER no Hospital Clinic de Barcelona e no Instituto de Pesquisas Biomédicas August Pi i Sunyer (IDIBAPS), o Dr. José María Miró, que liderou este trabalho prospectivo.
Em sua opinião, trata-se da “possibilidade de que a imunossupressão necessária para evitar a rejeição, somada à alteração imunológica associada ao vírus, aumentasse substancialmente o risco oncológico”. “As evidências geradas indicam que, no contexto atual de tratamento antirretroviral eficaz e acompanhamento especializado, essa população não apresenta um perfil de risco diferenciado”, afirmou.
Portanto, esta pesquisa, realizada com mais de 1.000 receptores de transplante e publicada na revista especializada 'Clinical Infectious Diseases', pertencente à Sociedade Americana de Doenças Infecciosas (IDSA), traz evidências sólidas sobre os benefícios do transplante de órgãos nessa população.
Para chegar a essa conclusão, foi analisada a ocorrência de tumores pela primeira vez após o transplante em uma coorte de 272 receptores com HIV e 816 receptores sem infecção, todos submetidos a transplante de fígado entre 2002 e 2012 e acompanhados durante um período prolongado com mediana superior a cinco anos. Foram excluídos deste estudo a recorrência do carcinoma hepatocelular e os cânceres de pele não melanoma, concentrando-se em tumores sólidos e hematológicos clinicamente mais relevantes.
RESULTADOS
Embora as pessoas com HIV fossem um pouco mais jovens no momento do transplante, a incidência de câncer foi comparável entre os dois grupos, conforme revela este trabalho, que mostra que, durante o acompanhamento, 5,9% desses pacientes e 7,5% das pessoas não infectadas desenvolveram um tumor maligno, uma diferença que não atingiu significância estatística. De fato, a incidência acumulada em cinco e dez anos foi praticamente idêntica em ambos os grupos, situando-se acima de 6% e entre 12% e 13%, respectivamente.
Quanto aos tumores mais frequentes diagnosticados após o transplante, estes foram o linfoma não-Hodgkin, o câncer de pulmão e os de cabeça e pescoço, um padrão semelhante ao descrito na população geral transplantada. Além disso, não foram observadas diferenças relevantes entre pessoas com e sem HIV quanto ao momento de aparecimento, à distribuição dos tipos tumorais e ao estágio no momento do diagnóstico de câncer.
Por fim, esta pesquisa constatou que a sobrevida após o diagnóstico de câncer também não variou de acordo com o estado sorológico. O único fator associado ao desenvolvimento de tumores foi a idade mais avançada no momento do transplante, o que reforça a ideia de que o risco está mais ligado ao envelhecimento e à exposição acumulada a fatores carcinogênicos do que à infecção pelo HIV em si, concluíram os autores.
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