MADRID 4 mar. (EUROPA PRESS) -
Pesquisadores do Instituto de Pesquisa em Saúde do Hospital La Princesa (IIS Princesa), em Madri, e da Universidade McMaster, no Canadá, revelaram uma conexão entre as bactérias que habitam a boca e a forma como o sistema imunológico reage aos alérgenos alimentares, como o amendoim, o que pode levar à redução das reações alérgicas.
Neste estudo, publicado recentemente na revista Cell Host & Microbe, os pesquisadores descobriram que as bactérias do gênero Rothia, que vivem naturalmente na boca, têm a capacidade de degradar as proteínas do amendoim que provocam reações alérgicas, podendo prevenir a manifestação mais grave da doença, a anafilaxia, que é uma reação aguda, potencialmente mortal, e que pode se desenvolver em poucos minutos. Os pesquisadores observaram como proteínas altamente alergênicas do amendoim eram digeridas por esse gênero bacteriano. Além disso, quando esses amendoins digeridos eram usados como estímulos em células alérgicas, as respostas eram menores do que quando se usava amendoim inteiro, não digerido por bactérias orais. Por outro lado, foram utilizados modelos de ratos colonizados com bactérias do gênero Rothia, nos quais a gravidade da reação alérgica foi reduzida quando lhes foi administrado amendoim por via oral. Também foram observadas respostas de menor gravidade quando ratos alérgicos receberam amendoim digerido pelo gênero Rothia.
Esta investigação foi liderada pelos doutores Rodrigo Jiménez, chefe do grupo de Investigação de Imunidade Tipo 2 do IIS Princesa, e Alberto Caminero, professor do Departamento de Medicina da Universidade de MacMaster, em colaboração com os seus grupos de investigação. ENSAIOS COM PACIENTES ALÉRGICOS AO AMENDOÃO
Por fim, os cientistas demonstraram como, em duas coortes de pacientes alérgicos ao amendoim do Hospital Mass General de Boston e do Hospital Monte Sinai de Nova York, aqueles que apresentavam maior abundância na saliva de bactérias com capacidade de degradar o amendoim, como a Rothia, mostravam maior tolerância à exposição ao alérgeno, ou seja, tinham um limiar mais alto antes de experimentar uma reação alérgica.
Esta descoberta tão relevante pode explicar, em parte, as diferenças entre os pacientes em termos de risco de desenvolver reações alérgicas a alimentos e poderia ajudar a prever quais pacientes são mais suscetíveis a desenvolvê-las.
Além disso, poderia servir para estabelecer novas formas de tratar alergias alimentares, e especificamente ao amendoim, já que diferentes estimativas indicam que entre 1 e 2% da população mundial pode ser potencialmente alérgica a este alimento altamente associado à anafilaxia.
A modulação da microbiota, uma possível alternativa terapêutica para as alergias O estudo abre as portas para o desenvolvimento de tratamentos que aumentem a presença dessas bactérias benéficas no corpo, o que poderia ajudar a reduzir as reações alérgicas. Nesse sentido, a intervenção microbiana por meio, por exemplo, do uso de probióticos específicos, representa uma nova forma de abordar um problema de saúde importante como as alergias alimentares, que atualmente estão em aumento.
“Em vez de a ciência se concentrar apenas no desenvolvimento de medicamentos para tratá-las, a modulação da microbiota, aumentando a abundância de certas bactérias, poderia oferecer uma alternativa terapêutica inovadora e eficaz para reduzir os riscos e melhorar a tolerância a alimentos potencialmente perigosos”, afirmam em um comunicado.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático