MÁLAGA 31 mar. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe de pesquisadores de Málaga deu um passo fundamental para compreender por que algumas pessoas apresentam reações após tomar anti-inflamatórios tão comuns como a aspirina ou o ibuprofeno.
O estudo, que analisa o papel dos fatores genéticos nesse tipo de reação, tem como autora principal Isabel María Jiménez Sánchez, pesquisadora do P-FIS, e foi liderado por José Antonio Cornejo García, pesquisador sênior do Programa Nicolás Monardes.
Ambos pertencem ao Grupo de Doenças Alérgicas a Medicamentos e Alérgenos, liderado por María José Torres Jaén, chefe da Unidade de Gestão Clínica de Alergologia do Hospital Regional Universitário de Málaga e professora titular de Medicina da Universidade de Málaga, e Cristobalina Mayorga Mayorga, pesquisadora sênior do Programa Nicolás Monardes.
Os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) estão entre os medicamentos mais consumidos em todo o mundo e, ao mesmo tempo, são a principal causa de hipersensibilidade a medicamentos. A reação mais frequente é o aparecimento repentino de pápulas na pele (urticária) ou inchaço, especialmente nos lábios e pálpebras (angioedema).
O estudo se concentra nas causas pelas quais essas reações são mais comuns em pessoas com uma alergia prévia, o que os especialistas chamam de “atopia”; muitos desses pacientes são alérgicos a elementos presentes no ambiente, como os ácaros do pó doméstico. Compreender quais fatores genéticos estão por trás dessa associação permitirá avançar em direção a diagnósticos mais precisos e tratamentos mais personalizados no futuro, indicou o Ibima em um comunicado.
LIGAÇÃO GENÉTICA
Eles esclareceram que, embora fosse sabido que uma porcentagem muito alta de pessoas que apresentam reações aos AINEs também são alérgicas aos ácaros, até agora não havia sido estudado em detalhes quais genes específicos estavam envolvidos nessa relação. A equipe analisou o DNA de 1.240 pessoas para procurar pequenas variações genéticas em genes relacionados ao sistema imunológico.
E encontraram uma pista fundamental: determinadas variantes em dois genes relacionados à alergia aos ácaros — Il4ra e Fcer1a — aumentam significativamente o risco de sofrer urticária aos AINEs. Segundo explicam os pesquisadores, essa descoberta permite demonstrar, pela primeira vez em nível molecular, que existe uma conexão direta entre a predisposição genética à alergia comum e o risco de sofrer reações de hipersensibilidade aos AINEs.
Em outras palavras, eles apontaram que algumas pessoas não reagem a esses medicamentos por acaso, mas porque seu sistema imunológico está geneticamente mais predisposto a fazê-lo.
Para garantir que os resultados fossem sólidos e confiáveis, a pesquisa foi desenvolvida em duas fases independentes. Primeiro, foram estudados pacientes atendidos na Unidade de Alergia do Hospital Regional Universitário de Málaga e, posteriormente, as descobertas foram confirmadas em um segundo grupo de pacientes do Hospital Clinic de Barcelona.
Essa análise dupla reforça a validade dos resultados. Os pesquisadores verificaram que as pessoas portadoras dessas variantes genéticas não apenas apresentavam maior risco de sofrer urticária após tomar AINEs, mas também apresentavam níveis mais elevados de imunoglobulina E (IgE), o anticorpo-chave das reações alérgicas, e de IgE específica para ácaros.
A descoberta representa um passo importante em direção à medicina de precisão: identificar antecipadamente quais pacientes apresentam maior risco genético permitirá, no futuro, tomar decisões mais seguras e personalizadas antes de prescrever determinados medicamentos.
O estudo foi financiado pelo Instituto de Saúde Carlos III e pela Sociedade Espanhola de Alergologia e Imunologia Clínica, e foi publicado e selecionado como “Escolha do Editor” na revista Journal of Allergy and Clinical Immunology.
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