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MADRID, 21 abr. (EUROPA PRESS) -
Pesquisadores do Cancer Center Clínica Universidad de Navarra (CCUN), em colaboração com um grupo do Hospital Clínic de Barcelona, desenvolveram uma estratégia de vacinação que permite potencializar especificamente a imunidade contra o câncer de fígado avançado.
Os cientistas, que planejam iniciar um ensaio clínico com pacientes em 2027 para validar os resultados do trabalho do laboratório, observaram em modelos animais que a administração da vacina potencia notavelmente a imunidade contra componentes do tumor.
O carcinoma hepatocelular é a forma predominante de câncer primário de fígado e representa a terceira causa de morte por câncer em todo o mundo. Graças aos avanços científicos e terapêuticos dos últimos anos, os pacientes com câncer hepático avançado contam com um tratamento de imunoterapia baseado em anticorpos inibidores de pontos de controle imunológico (ICI, na sigla em inglês), embora apenas um em cada três ou quatro responda a esses medicamentos.
O pesquisador principal do Grupo de Desenvolvimento de Vacinas do Cima Universidade de Navarra, o Dr. Pablo Sarobe, explica que “assim como ocorre em outros tipos de câncer, os tumores de fígado que contêm um maior número de linfócitos — células do sistema imunológico — têm maior probabilidade de responder aos ICI. Portanto, são necessárias estratégias que aumentem os linfócitos no tumor e, com isso, a resposta aos ICIs".
UM MODELO JÁ APLICADO NO CÂNCER DE MAMA E NO MIELOMA
Os cientistas analisaram amostras de tecido tumoral obtidas em um ensaio clínico do CCUN em 2020 nos laboratórios do Cima. “Após a sequenciamento do tumor, identificamos para cada paciente as mutações — denominadas neoantígenos — que poderiam ser imunogênicas, ou seja, capazes de ativar o sistema imunológico contra o câncer de fígado. Trata-se de uma ferramenta de previsão de neoantígenos que já havíamos aplicado anteriormente no câncer de mama e no mieloma múltiplo”, detalha Sarobe.
“Observamos em modelos animais que, embora o tumor apresentasse uma certa resposta aos neoantígenos, se os administrássemos como uma vacina, a imunidade contra esses componentes do tumor seria significativamente potencializada”, aponta o pesquisador do Cima e diretor do trabalho.
Os resultados, publicados na revista científica 'Oncoimmunology', constituem a base para um próximo ensaio clínico com pacientes que combinará o tratamento convencional de imunoterapia com uma vacina personalizada de células dendríticas e neoantígenos.
O estudo foi realizado no âmbito do CIBER de Doenças Hepáticas e Digestivas (CIBEREHD) e contou com financiamento público do Instituto Carlos III e do Governo de Navarra, além do apoio de entidades privadas como a Fundação Intheos.
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