MADRID 11 fev. (EUROPA PRESS) - Um estudo realizado por grupos de pesquisa nacionais e internacionais, mas coordenado pela Faculdade de Farmácia da Universidade CEU San Pablo, revelou que o teniposídeo, um medicamento utilizado há décadas para tratar a leucemia infantil e derivado de um produto natural, a podofilotoxina, ativa a defesa inata do sistema imunológico.
Este medicamento poderia ser utilizado no contexto da imunoterapia, devido à sua capacidade de ativar, tanto direta como indiretamente, uma proteína fundamental na resposta imunológica, o STING (Estimulador de Genes de Interferon). Além disso, a descoberta oferece pistas para a concepção de novos fármacos mais específicos e seguros, capazes de ativar o STING de forma controlada.
O Estimulador de Genes de Interferon atua como um sistema de alarme em nossas células. Quando detecta DNA estranho, ele desencadeia a produção de interferons, moléculas que ajudam a combater infecções e tumores. Por isso, a ativação do STING é considerada um elemento para o desenvolvimento de novas terapias contra o câncer e doenças infecciosas.
O STING pode ser induzido de várias formas, uma das mais bem descritas é aquela que ocorre quando outra proteína, chamada cGAS, é capaz de detectar DNA livre (fora dos cromossomos), produzir uma molécula chamada cGAMP e ativar o STING. O novo estudo demonstra que o Teniposido, além disso, se liga diretamente ao STING e o ativa, sem a necessidade desses intermediários. Este mecanismo abre um novo caminho para estimular a imunidade. A equipe realizou uma triagem virtual de milhares de compostos químicos já aprovados e descobriu que o Teniposide se encaixava na estrutura do STING, no mesmo local que o cGAMP. Posteriormente, confirmaram em laboratório que esta ligação ativa a resposta imunológica em células humanas e de ratos. Para isso, foram utilizadas técnicas de modelagem molecular, calorimetria e ensaios funcionais para validar a descoberta. Uma descoberta que sugere que o Teniposido poderia ser reposicionado para potencializar o sistema imunológico. Além disso, oferece as bases para projetar novos medicamentos que ativem o STING de forma controlada, abrindo as portas para terapias mais seguras e eficazes. Os pesquisadores Rubén Martínez e Adrián Velázquez destacam a importância de confirmar essas interações com componentes purificados “para evitar interpretações errôneas” derivadas de sistemas celulares complexos. “Esta descoberta demonstra como a triagem virtual e a análise estrutural podem revelar interações inesperadas entre medicamentos existentes e alvos imunológicos. O teniposídeo abre caminho para o desenvolvimento de moduladores mais seletivos do STING, otimizando a eficácia e reduzindo os efeitos colaterais”, explica a pesquisadora Claire Cocerch.
Por sua vez, Estanislao Nistal, pesquisador da CEU USP, indica que “ativar o STING diretamente com um medicamento aprovado como o Teniposide e possíveis análogos estruturais representa um avanço promissor para potencializar a resposta imunológica contra tumores”. E ressalta que “essa abordagem poderia ser integrada a estratégias combinadas de imunoterapia, melhorando a capacidade do organismo de reconhecer e eliminar células cancerosas”.
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