VALÊNCIA 2 jun. (EUROPA PRESS) -
O Instituto de Pesquisa em Saúde Incliva, do Hospital Clínico Universitário de Valência, e a Universidade de Valência (UV) participaram de uma pesquisa internacional que avaliou um novo tratamento combinado com elraglusibe, gemcitabina e nab-paclitaxel (GnP) para tratar o adenocarcinoma ductal pancreático metastático, conforme informado por ambos os centros em um comunicado.
O ensaio clínico de fase II apresentou resultados positivos: a terapia aumentou a sobrevida dos pacientes afetados por essa neoplasia altamente agressiva e de mau prognóstico. Esses resultados foram publicados na prestigiosa revista Nature Medicine.
A participação espanhola na pesquisa internacional ficou a cargo do Dr. Andrés Cervantes, diretor científico do Incliva, onde coordena o Grupo de Pesquisa em Câncer Colorretal e Novos Desenvolvimentos Terapêuticos em Tumores Sólidos (InDeST); chefe do Serviço de Oncologia Médica do Hospital Clínico Universitário de Valência; e professor titular da UV.
O câncer de pâncreas é a quarta causa de morte relacionada ao câncer na União Europeia e a sétima no mundo, lembraram no Incliva. O adenocarcinoma ductal pancreático é o subtipo mais frequente, representando 90% dos casos. No momento do diagnóstico, metade dos pacientes já apresenta metástase, o que acarreta um prognóstico desfavorável.
A sobrevida global média é de 7,2 meses e a taxa de sobrevida em um ano é de 22%. “Os tratamentos atuais são limitados, por isso a busca por novos tratamentos é vital”, destacou Andrés Cervantes, professor de Oncologia e Genética Humana na UV.
“A Unidade de Ensaios Clínicos Oncológicos de Fase I da Incliva, vinculada ao Serviço de Oncologia do Hospital Clínico Universitário de Valência, alcançou notoriedade internacional, o que permitiu nossa participação no desenvolvimento original do tratamento combinado com elraglusib — medicamento que inibe a enzima GSK-3, responsável por regular diversos aspectos celulares, como a proliferação celular — e GnP”, destacou Cervantes, também responsável por essa Unidade.
Os resultados do ensaio clínico atual destacam que o novo tratamento prolonga em 2,9 meses a sobrevida global média e duplica a taxa de sobrevida em um ano, passando de 22% para 44%. Além disso, a terapia experimental reduz em 38% o risco de morte.
O estudo, que contou com a participação de seis países, identificou outros benefícios com o tratamento. A terapia experimental aumentou as células citotóxicas do sistema imunológico — capazes de eliminar células cancerosas — dentro do microambiente do tumor em até 40 vezes. No entanto, esse efeito não foi observado com a monoterapia com GnP.
Essa descoberta sugere que o elraglusib tem efeitos imunomoduladores que poderiam oferecer um benefício adicional. “A combinação experimental é viável, bem tolerada e tem um efeito benéfico que prolonga a sobrevida; por isso, é muito importante poder organizar a fase III para obter a aprovação da Agência Europeia de Medicamentos (EMA)”, acrescentou o Dr. Andrés Cervantes.
O artigo destaca que, durante o ensaio clínico, continuou-se a avaliar o perfil de segurança da terapia combinada. Os efeitos adversos mais comuns foram alterações visuais, fadiga e neutropenia — baixos níveis de glóbulos brancos chamados neutrófilos.
No entanto, a equipe de pesquisa esclarece que as alterações visuais são transitórias e duram menos de uma hora. Por outro lado, a neutropenia não é especificamente tóxica, uma vez que o elraglusib não reduz as células sanguíneas, mas está correlacionada com uma exposição adequada e o correto funcionamento biológico do tratamento, esclarece o estudo.
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