Publicado 22/06/2026 08:14

Pesquisadores espanhóis observam que a gordura que envolve a aorta pode ser fundamental na síndrome de Marfan

Archivo - Arquivo - Síndrome de Marfan
GETTY IMAGES/ISTOCKPHOTO / DESIGNER491 - Arquivo

MADRID 22 jun. (EUROPA PRESS) -

Pesquisadores da área de Doenças Cardiovasculares do CIBER (CIBERCV) da Universidade Autônoma de Barcelona demonstraram que o tecido adiposo que envolve a aorta participa ativamente da regulação da função vascular na síndrome de Marfan, uma das doenças hereditárias do tecido conjuntivo mais frequentes.

O estudo, liderado por Francesc Jiménez-Altayo e publicado na revista “Biochemical Pharmacology”, revela que esse tecido, longe de ser uma estrutura passiva, pode influenciar o comportamento dos vasos sanguíneos e contribuir para a adaptação da parede vascular às alterações associadas à doença.

A síndrome de Marfan afeta o tecido responsável por fornecer suporte e elasticidade a estruturas como os ossos, os vasos sanguíneos e diversos órgãos. Ela é causada por alterações no gene da fibrilina-1. Entre suas manifestações mais graves estão as alterações progressivas da aorta. Essas alterações podem fazer com que a parede do vaso se dilate de forma anormal e aumentar o risco de lesões graves, como rasgos ou rupturas potencialmente fatais.

Embora afete homens e mulheres com frequência semelhante, há cada vez mais evidências de que a evolução clínica e as complicações cardiovasculares podem diferir de acordo com o sexo, um aspecto ainda pouco explorado nessa doença. Para investigar o papel desse tecido, a equipe analisou um modelo murino da síndrome de Marfan e estudou a resposta de diferentes regiões da aorta, comparando animais machos e fêmeas de diferentes idades.

Os resultados mostraram que a influência do tecido adiposo perivascular sobre a capacidade contrátil da aorta depende tanto da região anatômica analisada quanto do sexo dos animais. Em particular, nas fêmeas com síndrome de Marfan, o tecido adiposo que circunda a aorta — conhecido como tecido adiposo perivascular (PVAT) — reduz a força com que a aorta ascendente se contrai. Esse efeito está relacionado a mecanismos celulares associados ao equilíbrio oxidativo e desaparece com o envelhecimento. Além disso, o estudo demonstra que esses mecanismos atuam de maneira independente do endotélio — a camada interna que reveste os vasos sanguíneos.

“As descobertas sugerem que o ambiente imediato da aorta não é um mero acompanhante anatômico, mas um elemento dinâmico capaz de influenciar a evolução da doença”, explica Francesc Jiménez-Altayo.

Essa pesquisa traz novas pistas sobre as alterações cardiovasculares associadas à síndrome de Marfan e destaca a importância de considerar fatores biológicos como sexo, idade e localização anatômica ao estudar a doença. O estudo também aponta o metabolismo local do entorno vascular como uma possível peça-chave na doença. Essas descobertas abrem novas perspectivas para o desenvolvimento futuro de tratamentos mais personalizados, direcionados não apenas à parede vascular, mas também aos mecanismos biológicos e metabólicos que influenciam seu comportamento.

O estudo, liderado pelo CIBERCV e pela Universitat Autònoma de Barcelona, contou também com a participação de pesquisadores da área de Doenças Neurodegenerativas do CIBER (CIBERNED), além de outros centros nacionais e internacionais.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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