Publicado 04/09/2025 06:23

Pesquisadores espanhóis identificam um possível mecanismo para tratar a obesidade sem reduzir a ingestão alimentar

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ALEXANDR MUŞUC/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 4 set. (EUROPA PRESS) -

Uma equipe internacional de pesquisadores liderada pelo Instituto de Pesquisa em Biomedicina (IRB) de Barcelona identificou em animais um possível mecanismo para tratar a obesidade sem a necessidade de reduzir a ingestão de alimentos, ativando a gordura marrom.

O estudo, publicado na revista Nature Communications, apontou para o "papel fundamental" da neuritina 1, uma proteína anteriormente ligada ao sistema nervoso que também é produzida no tecido adiposo marrom, onde atua como um "potente impulsionador" do gasto de energia e da saúde metabólica.

"Ao aumentar os níveis de neuritina 1 especificamente na gordura marrom, observamos que os animais queimaram mais energia, o que ajudou a evitar o acúmulo de gordura", explicou o co-líder do estudo, o professor da Universidade de Barcelona e pesquisador do CIBERDEM, Dr. Antonio Zorzano.

A neuritina 1, ao contrário de alguns medicamentos atuais contra a obesidade e antidiabéticos que agem suprimindo o apetite, aumenta a queima de energia graças à sua função metabólica na gordura marrom, que é especializada na geração de calor por meio de um processo conhecido como termogênese.

Esse processo envolve a queima de energia para manter a temperatura corporal, especialmente em resposta ao frio, onde a neuritina 1 estimula a atividade mitocondrial e promove a expressão de genes termogênicos.

Para ativá-la, os cientistas usaram um vetor viral que promove a superextensão da neuritina 1 exclusivamente nas células de gordura termogênicas, resultando em um aumento sustentado da atividade metabólica sem afetar a ingestão de alimentos ou a atividade física dos animais.

MELHORIAS SIGNIFICATIVAS EM OUTROS INDICADORES DE SAÚDE

Esse impulso metabólico também se manifestou por meio de melhorias "significativas", como redução do ganho de peso, melhora da sensibilidade à insulina e redução da inflamação hepática, mesmo em animais alimentados com dietas de alto teor calórico.

"Essas descobertas apontam para a Neuritina 1 como um candidato terapêutico promissor para tratar a obesidade e suas condições associadas, como diabetes tipo 2 e doença hepática gordurosa, por meio de um mecanismo que difere das abordagens atuais", enfatiza a co-líder da pesquisa do IRB Barcelona, Manuela Sánchez-Feutrie.

Além disso, dados genéticos em humanos mostraram uma correlação entre a neuritina 1 e a suscetibilidade à obesidade, o que reforça a "relevância potencial" da descoberta, que poderia levar a uma futura estratégia terapêutica.

CONCLUSÕES "SÓLIDAS E CONFIÁVEIS

O professor da Serra Húnter, Rubén Cereijo Téllez, do Departamento de Bioquímica e Biomedicina Molecular da Faculdade de Biologia da Universidade de Barcelona, enfatizou que o estudo mostrou conclusões "sólidas e confiáveis", após o que ele lembrou que estudos recentes em humanos mostraram que pessoas com mais tecido adiposo marrom têm um risco menor de desenvolver diabetes tipo 2 ou doenças cardiovasculares.

"Essa descoberta, portanto, revela pela primeira vez um novo e interessante mecanismo pelo qual o tecido adiposo marrom pode ser ativado; mostra até mesmo que o tratamento com neuritina-1 das células do tecido adiposo marrom é suficiente para ativar sua função de 'queima de gordura' em modelos experimentais", disse Cereijo em declarações fornecidas pela MSC Espanha.

O especialista também descreveu como "especialmente interessante" a possibilidade de comunicação entre o tecido adiposo marrom e o branco, um processo no qual "o tecido adiposo marrom dá ao tecido adiposo branco a ordem" para mobilizar suas reservas a serem queimadas e reduzir tanto o peso quanto os níveis de lipídios e açúcar no sangue, o que ajuda a prevenir ou combater a obesidade, o diabetes tipo 2, as doenças cardiovasculares e a doença hepática gordurosa.

"Ativá-la em seres humanos adultos ajudaria não apenas a queimar gordura diretamente, mas também a aumentar a comunicação entre o tecido adiposo marrom e outros órgãos por meio da liberação de batocinas", enfatizou, apontando para a possibilidade de projetar novas estratégias terapêuticas destinadas a melhorar o estado metabólico e a qualidade de vida das pessoas afetadas pelas patologias mencionadas.

Cereijo fez eco às limitações expressas pelos autores do artigo, que reconheceram que se trata de um estudo realizado em células experimentais e modelos animais, e que os humanos adultos têm menos tecido adiposo marrom do que os camundongos em relação ao tamanho, e que ele se torna progressivamente inativo com a idade e especialmente em condições de obesidade ou diabetes.

É por isso que ele enfatizou a necessidade de testar a regulação dessa molécula e seus níveis no sangue em humanos, tanto saudáveis quanto com essas condições clínicas, para verificar se ela está realizando as mesmas ações que nos modelos experimentais.

"Mesmo que a neuritina-1 humana realmente realizasse essas ações, já que é uma proteína que precisa manter sua estrutura complexa para realizar suas funções, seria complexo comercializá-la como tal em uma forma injetável, por exemplo, de modo que a estratégia a seguir seria descobrir exatamente como ela age nas células do tecido adiposo marrom e projetar um medicamento que simule suas ações", concluiu Cereijo.

Por sua vez, o diretor do Instituto Universitário Conjunto de Esporte e Saúde (iMUDS) da Universidade de Granada, Jonatan R. Ruiz, concordou com a "confiança e solidez" dos resultados do estudo, que poderiam ser um "ponto de partida" para futuras pesquisas no campo da obesidade e das doenças metabólicas.

RESULTADOS "MUITO PROMISSORES

"O estudo apresenta resultados muito promissores na pesquisa sobre como ativar o tecido adiposo marrom em modelos animais e seu impacto na regulação do metabolismo energético, glicemia e inflamação hepática", disse Ruiz, que também é professor de Atividade Física e Saúde na Faculdade de Ciências do Esporte da Universidade de Granada, ao MSC España.

No entanto, assim como Cereijo e os autores do estudo, ele enfatizou a importância de se ter em mente que ainda não se sabe se essa proteína terá o mesmo efeito em humanos, e que a transferência dessas descobertas para a prática clínica exigirá o desenvolvimento de estratégias para ativar esse mecanismo em humanos e provar seu benefício no controle da obesidade.

A pesquisa foi financiada por várias instalações centrais do IRB Barcelona, como Bioinformática e Bioestatística, Genômica Funcional, Expressão de Proteínas e Histopatologia. Ela também envolveu colaboradores de instituições internacionais, como o CNRS (França), o Instituto Karolinska (Suécia) e a Universidade de Houston (EUA).

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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