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MADRID 29 ago. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe de pesquisadores do Centro de Investigación Biomédica en Red Enfermedades Cardiovasculares (CIBERCV) identificou um novo mecanismo que enfraquece a aorta e favorece a formação de aneurismas, bem como uma possível maneira de preveni-los com medicamentos e sem a necessidade de cirurgia.
O estudo, publicado no European Heart Journal, mostrou que, em pessoas com aneurismas, os açúcares complexos se acumulam na parede da aorta e, embora normalmente façam parte da estrutura arterial, seu excesso atua como uma "cola" que acaba danificando o tecido e favorece sua dilatação, com risco de ruptura e morte súbita.
A principal novidade do estudo é que a causa desse acúmulo foi identificada como a via biossintética da hexosamina, um processo celular que utiliza nutrientes como a glicose e a glutamina para produzir esses açúcares e que, quando ativado em excesso, gera estresse celular, enfraquece a parede arterial e favorece o aparecimento de aneurismas.
"Trata-se de um passo fundamental para entender e combater os aneurismas da aorta, uma patologia grave que costuma ser detectada tardiamente e que, na maioria dos casos, só pode ser tratada com cirurgia", explicaram os cientistas, coordenados pelo Centro de Biología Molecular Severo Ochoa (CBM-CSIC-UAM) e pelo Instituto de Investigación Sanitaria Fundación Jiménez Díaz (IIS-FJD).
Para validar essas descobertas, os pesquisadores realizaram estudos em modelos de camundongos com síndrome de Marfan, uma doença genética que predispõe a essa patologia, e analisaram amostras de pacientes humanos com aneurismas da aorta, observando em todos os casos a mesma ativação excessiva da via biossintética da hexosamina e o acúmulo de açúcares.
Eles também demonstraram que, em camundongos, é possível interromper a doença com medicamentos, o que abre a porta para futuros tratamentos e diagnósticos precoces, evitando assim a cirurgia e melhorando a qualidade de vida dos pacientes.
Os compostos experimentais DON, que bloqueia a principal enzima na via biossintética da hexosamina, e ISRIB, que bloqueia a resposta ao estresse celular que danifica a aorta, foram usados para retardar o crescimento de aneurismas; ambos os tratamentos reduziram a inflamação, fortaleceram a estrutura arterial e permitiram que a aorta recuperasse seu tamanho normal.
"Esses resultados abrem um novo caminho terapêutico em uma doença para a qual não há tratamentos farmacológicos eficazes (...) Se conseguirmos transferir essa descoberta para a prática clínica, poderemos evitar complicações graves e melhorar a qualidade de vida dos pacientes", enfatizou o líder da pesquisa, Dr. Jorge Oller Pedrosa, do IIS-FJD.
O estudo também identificou possíveis biomarcadores no sangue relacionados à via biossintética de hexosaminas e açúcares acumulados, o que abre a possibilidade de projetar um exame de sangue para detectar aneurismas em estágios iniciais e monitorar sua evolução antes que se tornem fatais.
Embora tenham enfatizado que ainda são necessários testes clínicos em humanos, os cientistas destacaram que a descoberta representa um "passo esperançoso" em direção ao desenvolvimento de terapias farmacológicas e testes de diagnóstico para essa doença.
Esse avanço foi possível graças à colaboração entre o CBM-CSIC-UAM, o CIBERCV, o Hospital Universitari Vall d'Hebron (Barcelona), a Fundación Jiménez Díaz-Universidad Autónoma de Madrid e o Hospital Universitario Marqués de Valdecilla e o IDIVAL.
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