Publicado 23/09/2025 08:29

Pesquisadores espanhóis desenvolvem vacina intranasal que elimina o vírus da Covid-19 em camundongos

Vírus SARS-CoV-2 emergindo de células infectadas.
CSIC/EQUIPO DE LUIS ENJUANES_PNAS

MADRID 23 set. (EUROPA PRESS) -

Uma equipe do Conselho Nacional de Pesquisas da Espanha (CSIC) desenvolveu uma nova vacina intranasal que elimina o vírus SARS-CoV-2 em camundongos, bloqueando "completamente" a infecção e impedindo sua replicação no organismo, mesmo nas variantes mais recentes.

O estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, demonstrou a segurança dessas vacinas experimentais e sua eficácia na produção de imunidade esterilizante em roedores geneticamente modificados para ter características do sistema imunológico humano, com base em réplicas de RNA do vírus da Covid-19.

"Essas réplicas não possuem seis genes importantes para a patogênese e propagação viral, podem se multiplicar dentro da célula, amplificar mais de mil vezes, formar partículas semelhantes a vírus reais, mas são incapazes de sair e infectar outras células", explicou o líder da pesquisa e membro do Centro Nacional de Biotecnologia do CSIC, Luis Enjuanes.

Ao eliminar vários dos genes do vírus que contribuíram para sua virulência, as réplicas geradas são "especialmente seguras" como vacinas e, ao expressar várias proteínas virais além da proteína S (a proteína da espícula do SARS-CoV-2), vários tipos de defesas do sistema imunológico são ativados, incluindo anticorpos, células T e memória imunológica.

"Enquanto a proteção de dose única em camundongos chega a 60%, o uso da imunização dupla intranasal atinge 100% de proteção contra a infecção por SARS-CoV-2. Além disso, níveis indetectáveis de vírus em amostras nasais e pulmonares indicam que a imunização é esterilizante", acrescentou Enjuanes.

A equipe de pesquisa apontou que esse sistema intranasal oferece várias vantagens, como a capacidade do replicon de se copiar dentro da célula, o que reduziria a dose de vacina necessária; ou sua capacidade de obter uma maior indução da resposta imune por conter diferentes antígenos virais e bloquear a infecção na mucosa nasal.

A VACINA AGE DIRETAMENTE NAS MEMBRANAS MUCOSAS RESPIRATÓRIAS

Da mesma forma, ele enfatizou que esse tipo de administração age diretamente na mucosa respiratória, o ponto de entrada do vírus no corpo, o que gera uma resposta local "potente". Por ser uma via não invasiva e mais conveniente, ela também poderia ser mais fácil de usar em campanhas de vacinação em massa ou em pessoas vulneráveis.

A vacina também induziu a ativação robusta de células T (CD4+, CD8+), anticorpos neutralizantes contra variantes do vírus e células de memória imunológica.

Seus principais benefícios também incluem a produção de várias proteínas virais que ativam diferentes tipos de defesas; e sua multiplicação dentro das células, permitindo o uso de doses menores.

Os replicons foram testados in vitro para escolher aqueles que produziam uma grande quantidade de partículas semelhantes aos vírus reais, com uma baixa resposta inflamatória, e depois testados em modelos in vivo. Além disso, foram incluídas versões dos replicons contra as variantes iniciais do vírus (Wuhan), bem como contra a variante XBB.1.5, que atualmente é usada em vacinas comerciais.

A eficácia de cada replicon é específica para a variante que causa a infecção, portanto, seria necessário adaptar a sequência à variante atualmente em circulação, embora os pesquisadores tenham declarado que essa atualização seria "facilmente alcançável" em dois ou três meses.

Isso poderia ser particularmente benéfico para os idosos, um grupo populacional que tende a apresentar respostas mais fracas às vacinas convencionais.

"A eficácia das vacinas atuais entre os idosos é limitada. As respostas imunológicas geradas nesse grupo após receber as vacinas atuais de RNA mensageiro tendem a ser mais fracas", concluem os pesquisadores.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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