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MADRID 19 out. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe de pesquisadores da Universidade Politécnica de Madri (UPM) e do Instituto de Pesquisa em Saúde do Hospital Clínico San Carlos (IdISSC) conseguiu, pela primeira vez, recriar em laboratório um modelo de câncer colorretal que combina organoides obtidos a partir de biópsias de pacientes com a tecnologia “Organ-on-a-Chip”, o que ajudará a personalizar os tratamentos.
O sistema permite estudar a resposta dos tecidos tumorais a diferentes tratamentos farmacológicos (como a quimioterapia) em um ambiente tridimensional e dinâmico, antes de administrá-los, evitando tratamentos ineficazes e reduzindo efeitos colaterais graves.
O trabalho dos pesquisadores, cujos resultados foram publicados na revista “International Journal of Molecular Sciences”, demonstra que os organoides derivados de tecido tumoral ou tumoroides podem ser mantidos em dispositivos microfluídicos com um fluxo contínuo de nutrientes e submetidos a testes farmacológicos. Dessa forma, os pesquisadores podem observar como o tecido responde a diferentes concentrações de medicamentos e analisar as alterações que ocorrem nos níveis celular e morfológico.
“Em comparação com as culturas celulares tradicionais bidimensionais, os organoides permitem trabalhar com uma estrutura tridimensional mais próxima da organização dos tecidos humanos. A incorporação desses modelos a um sistema Organ-on-a-Chip acrescenta, além disso, a possibilidade de controlar dinamicamente o ambiente no qual o tecido se desenvolve”, explica Miguel Holgado, que dirige o Grupo de Pesquisa em Óptica, Fotônica e Biofotônica no Centro de Tecnologia Biomédica da UPM e do grupo de Órgãos e Tecidos em Chips e Detecção in vitro do IDISSC.
Os pesquisadores isolaram e cultivaram organoides provenientes de biópsias tumorais e de tecido saudável próximo ao tumor de pacientes com câncer colorretal e os incorporaram a um dispositivo microfluídico (um pequeno dispositivo que permite controlar e fazer circular quantidades muito pequenas de líquidos por canais microscópicos). Essa circulação permite reproduzir, de maneira controlada, processos como a renovação de nutrientes e a eliminação de resíduos.
Conforme apontado, “os resultados do estudo foram muito positivos”, uma vez que os organoides cultivados nos microchips mantiveram uma viabilidade e morfologia comparáveis às observadas em culturas convencionais em placas, o que demonstra a estabilidade do sistema desenvolvido e sua viabilidade como modelo para estudar o comportamento dos tumores.
NOVA UNIDADE PARA TRANSFERIR A TECNOLOGIA PARA HOSPITAIS E INDÚSTRIA
Coincidindo com a publicação desses resultados, o IdISSC e o Centro de Tecnologia Biomédica da UPM (CTB-UPM) criaram a Unidade de Tecnologias em Organoides e Modelos ‘Organ-on-a-Chip’, uma infraestrutura mista concebida para fornecer serviços altamente especializados no desenvolvimento, estabelecimento, cultivo, manutenção, caracterização e análise funcional de modelos de organoides e culturas tridimensionais (3D) aplicados à biomedicina translacional e à medicina personalizada.
A nova unidade oferecerá serviços especializados voltados para pesquisadores, hospitais, universidades, startups e empresas de biotecnologia e farmacêuticas. Seu objetivo principal é facilitar o acesso da comunidade científica, clínica e industrial a modelos celulares avançados, capazes de reproduzir fielmente a arquitetura tecidual, a heterogeneidade celular e os microambientes fisiológicos e patológicos humanos. Esses sistemas superam as limitações preditivas das culturas bidimensionais (2D) convencionais e reduzem a dependência de modelos animais em ensaios pré-clínicos.
O portfólio de serviços está estruturado em quatro áreas: cultivo e manutenção de modelos 3D; projeto e fabricação de dispositivos microfluídicos; caracterização histológica e molecular; e ensaios funcionais e farmacológicos. Entre suas capacidades estão o isolamento de criptas a partir de biópsias humanas, a expansão de organoides em matrizes tridimensionais, a criopreservação para biobancos, a fabricação de biochips e os estudos de resposta a medicamentos por meio de análises de citotoxicidade e microscopia digital.
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