MADRID 1 jun. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe de pesquisadores espanhóis do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) e do Instituto de Pesquisa do Hospital del Mar de Barcelona (HMRIB) desenvolveu um protótipo de teste diagnóstico para detectar o câncer de pâncreas “em minutos” a partir de uma amostra de sangue analisada em uma tira reativa.
Essa descoberta, que foi possível graças ao trabalho colaborativo dos institutos de Química Avançada da Catalunha (IQAC-CSIC) e de Pesquisas Biomédicas de Barcelona (IIBB-CSIC), além do referido centro hospitalar, realizou seu teste de conceito por meio de amostras de 20 pacientes e outras tantas pessoas saudáveis neste hospital da cidade de Barcelona. Os resultados foram publicados na revista especializada 'Talanta'.
Segundo o CSIC, “trata-se do primeiro ensaio desse teste diagnóstico que identifica, no plasma sanguíneo, uma proteína (sAXL) que atua como biomarcador do adenocarcinoma ductal pancreático, o câncer de pâncreas mais frequente e letal”, ao mesmo tempo em que expuseram que “os resultados revelam um método simples, portátil e econômico que deverá ser otimizado antes de sua aplicação clínica”.
Especificamente, explicaram que “o dispositivo desenvolvido utiliza uma tecnologia semelhante à dos testes rápidos, baseada em tiras reativas capazes de analisar uma amostra de plasma sanguíneo em poucos minutos”. “Por meio da otimização de diferentes componentes para melhorar sua sensibilidade, reprodutibilidade e clareza do sinal, o teste permitiu distinguir com precisão entre pacientes com câncer de pâncreas e pessoas saudáveis”, acrescentaram.
“Trata-se da primeira aplicação de um imunoensaio de fluxo lateral quantitativo — técnica diagnóstica que mede a concentração de uma substância em uma amostra líquida — para detectar sAXL no plasma”, destacou o pesquisador do grupo ‘Nanobiotechnology for Diagnostics’ do IQAC-CSIC e autor deste estudo, Juan Pablo Salvador.
FORMATO "RÁPIDO E SIMPLES"
Dessa forma, o CSIC afirmou que este ensaio "demonstra a capacidade do novo método de identificar a presença da proteína sAXL no sangue por meio da utilização de anticorpos em um formato rápido e simples". "Essa proteína está localizada na superfície das células e faz parte do funcionamento normal do organismo, mas é superexpressa em determinados tipos de câncer: no caso do pâncreas, ela aparece em níveis anormalmente elevados em mais de 70% dos tumores", informou.
“Há alguns anos, demonstramos que a presença dessa proteína solúvel no sangue é um marcador de pacientes que já desenvolveram o tumor”, explicou, por sua vez, a coordenadora do Grupo de Pesquisa em Alvos Moleculares do Câncer do IIBB-CSIC e do HMRIB, Pilar Navarro, que acrescentou que, após a validação das medições obtidas em comparação com técnicas padrão como o ‘ELISA’, uma modalidade diagnóstica de referência em laboratórios especializados e hospitais que quantifica a presença da proteína, essa comparação “permitiu confirmar a relevância diagnóstica do método”.
Na opinião dos especialistas do CSIC, este trabalho “representa um avanço promissor para pacientes com adenocarcinoma ductal pancreático, que é a terceira causa de morte por câncer em países desenvolvidos”. “Em parte, isso se deve ao fato de que esse tipo de tumor é difícil de detectar em seus estágios iniciais, razão pela qual mais de 85% dos diagnósticos são obtidos quando já não é possível operar, ou seja, quando já não se pode recorrer à única opção curativa que existe atualmente”, declararam.
“Dispor de ferramentas rápidas, acessíveis e minimamente invasivas para melhorar a detecção precoce representa uma necessidade clínica urgente”, afirmaram Salvador e Navarro a esse respeito. Esta última declarou que “a ferramenta desenvolvida visa aproximar a detecção do câncer de pâncreas da prática clínica habitual e contribuir para melhorar a sobrevida dos pacientes por meio de um diagnóstico precoce”.
Na mesma linha, a primeira autora deste trabalho, Núria Vázquez-Bellón, explicou que “trata-se de um primeiro passo promissor, embora ainda seja necessário otimizar o sistema antes de sua possível aplicação clínica”. “Estudos futuros se concentrarão em ampliar o número de pacientes analisados e melhorar ainda mais a sensibilidade do sistema para avançar rumo à sua possível aplicação clínica”, concluíram os pesquisadores a esse respeito.
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