MADRID 3 abr. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe de pesquisadores do Instituto de Ciência dos Materiais de Barcelona do Conselho Nacional de Pesquisa da Espanha (ICMAB-CSIC) conseguiu modificar quimicamente o poliuretano termoplástico (TPU), um material usado em dispositivos médicos, o que permitirá que ele tenha propriedades antibacterianas e previna infecções associadas a implantes biomédicos.
"Esse avanço pode significar uma mudança na prevenção de infecções em implantes médicos, reduzindo as complicações e melhorando a segurança do paciente", disse Imma Ratera, pesquisadora do grupo Nanomol-Bio do ICMAB-CSIC e do CIBER-BBN, e líder do estudo.
O estudo, publicado no periódico 'ACS Applied Bio Materials', mostra como a modificação química da superfície do TPU e a estratégia de monocamada de moléculas montadas são fundamentais para permitir a ancoragem da proteína a-defensina 5 (HD5) humana recombinante, favorecendo a interação com a proteína antimicrobiana e inibindo efetivamente a formação de biofilmes bacterianos.
A modificação da superfície desse material foi obtida por meio de um processo de ativação do TPU com diisocianato de hexametileno (HDI), reação interfacial com derivados de polietilenoglicol (PEG) e por uma reação de clique entre a monocamada montada terminada em PEG-maleimida e a proteína HD5.
O material também foi caracterizado com técnicas avançadas de ciência de superfície, e foi confirmada uma redução "significativa" na formação de biofilme de bactérias gram-positivas e gram-negativas resistentes, como "Pseudomonas aeruginosa", "Staphylococcus aureus" resistente à meticilina e "Staphylococcus epidermidis" resistente à meticilina.
Essa tecnologia oferecerá uma "alternativa promissora" aos antibióticos e metais, como a prata, solucionando assim o problema da resistência antimicrobiana em dispositivos médicos implantáveis e abrindo novos caminhos para o desenvolvimento de superfícies antimicrobianas nesses dispositivos, com grande potencial para melhorar os resultados clínicos e reduzir os custos de saúde associados a infecções hospitalares.
A pesquisa faz parte de um projeto financiado pela La Marató de TV3 e foi desenvolvida por pesquisadores do ICMAB-CSIC e do Centro de Investigación Biomédica en Red-Bioingeniería, Biomateriales y Nanomedicina (CIBER-BBN), em colaboração com o Institute for Food and Agricultural Research and Technology (IRTA), o Hospital Clínic-Instituto de Investigaciones Biomédicas August Pi i Sunyer (IDIBAPS), o Centro de Investigación Biomédica en Red en Enfermedades Infecciosas (CIBER-INFEC) e o Hospital Universitario Parc Taulí.
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