CASE WESTERN RESERVE UNIVERSITY
MADRID 5 set. (EUROPA PRESS) -
Um grupo de pesquisadores da Case University of the Western Reserve (EUA) iniciará em breve um ensaio clínico com 12 pessoas com amputações de membros superiores, no qual será testada uma mão protética capaz de restaurar o sentido do tato.
O objetivo do estudo é comparar braços e mãos protéticos padrão com próteses sensoriais controladas neuralmente desenvolvidas na universidade desde 2015.
Pesquisadores da Case Western Reserve University e do Department of Veterans Affairs Louis Stokes Cleveland Medical Center (Cleveland VA) receberam um subsídio de quase 9 milhões de euros do US Department of Defense Congressionally Directed Medical Research Program para realizar o estudo.
"As pessoas com perda de membros superiores merecem tecnologias melhores que possam melhorar suas vidas", diz Emily Graczyk, professora assistente de engenharia biomédica na Escola de Engenharia e na Escola de Medicina da Case, que está liderando a pesquisa.
A neuroprótese, denominada 'iSens' para neurostimulação implantada e sistema de sensoriamento somatossensorial elétrico, usa eletrodos implantados no braço que detectam o movimento muscular para controlar a mão e estimular os nervos, enviando a sensação tátil das pontas dos dedos protéticos para o cérebro. Um dispositivo de controle neural implantado se comunica entre os eletrodos e a prótese via Bluetooth.
Essa pesquisa inovadora foi apresentada em um segmento do programa "60 Minutes" em 2023. Os pesquisadores planejam começar a inscrever os participantes no início do próximo ano.
"Esse financiamento significativo nos permite concluir esse estudo clínico, que, nesse estágio, não necessariamente receberia investimento de capital de risco", disse Dustin Tyler, professor de engenharia biomédica Arthur S. Holden e co-investigador do estudo. "Esse subsídio nos permitirá remover uma barreira importante para a tradução", acrescentou.
Inicialmente, a universidade recebeu um subsídio de cerca de US$ 12 milhões por oito anos, até 2023, da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (DARPA) para pesquisa em neuroprostética. Tyler e Graczyk desenvolveram a tecnologia e as técnicas de estimulação que permitiram a transmissão de sinais sensoriais da mão protética por meio de implantes neurais no braço do indivíduo.
"MELHORA A AUTOIMAGEM E A INTERAÇÃO SOCIAL".
Até mesmo eles se surpreenderam, nas primeiras pesquisas, com o quanto o sentido do tato transformou a prótese de uma ferramenta para uso esporádico em algo que realmente dava a sensação de ter a própria mão.
"Ter um senso de toque melhora muitos aspectos diferentes da qualidade de vida. Incluindo o senso de conexão com entes queridos, autoconfiança, autoimagem e interação social", disse Graczyk.
O estudo de quatro anos envolverá uma dúzia de amputados de membros superiores que usam próteses. Ele consistirá em três partes, que cada participante concluirá em cerca de 18 meses.
"Esperamos que nossa neuroprótese melhore a vida dos amputados, mas não sabemos se o fator mais importante será a melhora da sensação, do controle ou de ambos", disse Graczyk.
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