MADRID 17 mar. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe do Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII) e da Universidade Francisco de Vitoria (UFV), em colaboração com o Grupo Hospitalar Vithas, gerou organoides tumorais derivados de pacientes com glioma, e conseguiu que esses “miniorgãos” desenvolvidos em laboratório imitem com precisão os tumores “mãe”, o que facilitará o estudo desse tipo de câncer cerebral e abrirá novos caminhos para a busca de possíveis terapias.
Os organoides são “miniorgãos” desenvolvidos em laboratório a partir de células humanas, que imitam a atividade dos órgãos humanos, o que facilita a pesquisa de doenças e a busca de possíveis tratamentos.
Nesta pesquisa, estabelece-se “uma plataforma fiel e clinicamente relevante que pode acelerar a pesquisa, a triagem e o reposicionamento de medicamentos já aprovados para pacientes com glioma”, segundo explica Ángel Ayuso, autor principal do trabalho e pesquisador da Unidade Funcional de Pesquisa em Doenças Crônicas (UFIEC) do Instituto.
O estudo, publicado na revista “Biomarker Research”, também conta com a autoria de Pilar Sánchez Gómez e María Castelló Pons, da mesma Unidade.
PERMITEM AVANÇAR EM DIREÇÃO A MODELOS DE ORGANOIDES ESPECÍFICOS
Os organoides de glioma gerados nesta pesquisa mantêm a longo prazo uma mutação-chave, denominada IDH1 R132H, algo que outras culturas 2D costumam perder, permitindo assim modelar uma biologia tumoral muito difícil de reproduzir em laboratório. Os organoides também conservam o fenótipo imunológico “frio” do glioblastoma, com predominância mieloide e quase ausência de linfócitos T, fornecendo dados que ajudam a explicar o sucesso limitado de diversas imunoterapias atuais.
Além disso, graças a análises por microscopia eletrônica de transmissão (TEM) nesse tipo de organoides, confirmou-se que eles apresentam uma complexidade ultraestrutural superior à observada em estudos com outras linhas celulares, incluindo interações neurônio-glia e preservação de organelas.
“O mais inovador é um ‘pipeline’ que integra triagem ‘in silico’ com um modelo ‘in vitro’ de alta fidelidade: cruzamos perfis de expressão dos organoides com bancos de dados de sensibilidade a medicamentos para priorizar terapias potencialmente personalizadas em um prazo compatível com a prática clínica”, conforme apontam o pesquisador do ISCIII e Noemí García Romero, professora do curso de graduação em Biomedicina da UFV e co-pesquisadora principal do trabalho.
Álvaro Monago Sánchez, pesquisador de pré-doutorado da UFV, acrescenta que os dados obtidos na pesquisa "apoiem a inclusão de dois novos compostos, alectinibe e ruxolitinibe, em futuras pesquisas clínicas para o tratamento do glioma". Em suma, os resultados do estudo permitem avançar em direção a modelos de organoides específicos e individualizados para cada paciente, e apresentam uma plataforma fácil de usar na busca por tratamentos mais eficazes e personalizados.
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