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MADRID 6 out. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe do Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII) publicou uma revisão científica que resume as possibilidades e os desafios do uso de organoides cerebrais, "mini-órgãos" desenvolvidos em laboratório que imitam a atividade do cérebro humano e facilitam a pesquisa de doenças neurológicas.
O ISCIII tem várias equipes envolvidas no estudo e desenvolvimento de organoides, e uma dessas linhas de trabalho se concentra em organoides cerebrais. Nesse sentido, as Unidades de Regeneração Neural e Biologia Computacional da Unidade Funcional de Pesquisa em Doenças Crônicas (UFIEC) do ISCIII publicaram um novo artigo sobre os recentes avanços na tecnologia de organoides cerebrais humanos.
Esses organoides são sistemas tridimensionais (3D) cultivados em laboratório capazes de recapitular os principais aspectos do desenvolvimento e da função do cérebro humano. O artigo que resume esses avanços, publicado na revista "Neural Regeneration Research", destaca o enorme potencial desses modelos para entender melhor como o cérebro humano é formado e como ele é alterado em várias doenças neurológicas.
Raquel Coronel e Isabel Liste, da UFIEC-ISCIII, explicam que, ao contrário dos modelos animais tradicionais, "os organoides do cérebro humano oferecem uma abordagem mais precisa e ética para o estudo de distúrbios como autismo, epilepsia ou doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson".
Além disso, eles destacam que sua capacidade de imitar os estágios iniciais do desenvolvimento do cérebro humano possibilita a observação de processos biológicos que, de outra forma, seriam difíceis de estudar, abrindo a porta para novas abordagens de diagnóstico e tratamento. Nesta revisão, os autores fornecem uma descrição dos diferentes tipos de protocolos que existem atualmente para gerar vários tipos de organoides cerebrais humanos.
Além disso, eles resumem suas aplicações para o estudo de patologias cerebrais, incluindo doenças neurodesenvolvimentais, psiquiátricas, neurodegenerativas, tumores cerebrais e doenças infecciosas, e explicam seu potencial na triagem de medicamentos e em ensaios toxicológicos. Este documento também destaca algumas das abordagens que estão sendo buscadas por meio do uso da bioengenharia e discute os principais desafios atuais desses modelos de estudo.
O artigo também analisa o conhecimento científico sobre questões como embriogênese, desenvolvimento de linhas celulares, protocolos existentes, tipos de organoides cerebrais, estudos de combinação de organoides (asembloides) e transplante de organoides, além de possíveis aplicações em doenças como esquizofrenia, Alzheimer, Huntington, tumores cerebrais e patologias infecciosas. Além disso, a revisão cita algumas das limitações e desafios que estão por vir para o desenvolvimento de organoides cerebrais humanos.
Entre eles estão a garantia da presença de células imunológicas, como a microglia, e a falta de sistemas vasculares que, devido ao estresse celular, impedem a especificação dos tipos de células e a maturação dos organoides. A dificuldade de reproduzir circuitos neurais complexos também pode complicar o estudo de distúrbios cerebrais de início tardio.
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