JONATAN RODRÍGUEZ / EEZA-CSIC
MADRID 13 out. (EUROPA PRESS) -
Um estudo internacional do qual participaram pesquisadores da Estação Experimental de Zonas Áridas, um centro do Conselho Nacional de Pesquisa da Espanha em Almeria (EEZA-CSIC), analisou mais de 1.700 fotografias carregadas em plataformas da Internet para rastrear a presença da planta invasora Carpobrotus, conhecida como unha-de-gato ou figo-do-cabo.
A pesquisa, publicada na revista "Ecological Solutions and Evidence", revela que essas invasoras apresentam um período de floração mais longo do que as espécies nativas, o que lhes permite produzir mais sementes e aumentar sua disseminação. Isso se traduz em uma vantagem reprodutiva que, como explica o EEZA, pode ajudar a explicar seu sucesso invasivo.
"Percebemos que milhares de pessoas estavam, sem saber, documentando essas invasões no fundo de suas selfies na praia ou em fotos do pôr do sol em penhascos", explicou a autora principal Susan Canavan. "Isso nos proporcionou observadores em todo o mundo, desde Big Sur, na Califórnia, até as costas da Nova Zelândia e as praias turísticas de Portugal e da Espanha", acrescentou ela em um comunicado divulgado pelo EEZA-CSIC.
As plantas são nativas da África do Sul e invadiram os ecossistemas costeiros da Califórnia ao Mediterrâneo. "Uma única planta Carpobrotus pode cobrir 50 metros quadrados, sufocando tudo o que cresce embaixo dela. Elas também alteram a química do solo e monopolizam os polinizadores com suas flores vistosas, perturbando os habitats locais", explica a autora sênior do artigo e pesquisadora da EEZA, Ana Novoa.
A equipe analisou mais de 1.700 fotografias do Instagram, Google Maps e da plataforma iNaturalist, e as imagens selecionadas eram da Argentina, Espanha, Estados Unidos, Nova Zelândia, Portugal e África do Sul.
No entanto, explica o EEZA, nem todas as áreas foram igualmente documentadas: destinos turísticos na Califórnia forneceram fotos mais úteis do que outras regiões, enquanto em lugares remotos na África do Sul e nos Açores, os dados dependiam inteiramente de plataformas especializadas, como a iNaturalist.
"Os destinos turísticos eram minas de ouro de dados. Cada ponto de vista com presença de Carpobrotus foi capturado em centenas de publicações no Instagram; mas isso também nos mostrou o viés dos dados de mídia social: as áreas invadidas mais remotas permanecem invisíveis se as pessoas não as documentarem ativamente", detalhou a pesquisadora da EEZA e coautora do estudo, Paula Gervazoni.
AJUDANDO A ELIMINAR INVASORES
O estudo concluiu que o ambiente local "supera" a genética na determinação da época de floração. "Seja na Califórnia, na Europa ou na Nova Zelândia, as plantas sincronizam seu pico de floração com a primavera local, em vez de seguir os padrões de suas populações nativas", disse a EEZA.
"Ao revelar os picos de floração (outubro na Nova Zelândia, março-maio na Espanha, maio-junho na Califórnia), a pesquisa ajuda a planejar os esforços de remoção para evitar a produção de sementes", acrescentaram.
Nesse sentido, Novoa especificou que "saber quando essas plantas florescem em cada região significa que é possível agir quando elas são mais vulneráveis, antes que produzam os milhares de sementes que garantem futuras invasões".
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