Publicado 06/08/2026 08:19

Pesquisadores do CNIC descobrem uma proteína essencial para prevenir danos ao fígado e tumores no envelhecimento

Archivo - Arquivo - Fígado.
ISTOCK. - Arquivo

MADRID 6 ago. (EUROPA PRESS) -

Uma equipe de cientistas do Centro Nacional de Pesquisas Cardiovasculares (CNIC) identificou uma proteína essencial para prevenir danos hepáticos e o desenvolvimento de tumores durante o envelhecimento, denominada OMA1.

Mais especificamente, por meio de um estudo publicado na revista especializada “The EMBO Journal”, os especialistas dessa instituição descobriram um mecanismo que protege o fígado nesse sentido, além de terem identificado “um freio natural nas mitocôndrias” desse órgão que retarda o desenvolvimento do câncer. Assim, a referida proteína “é ativada diante do estresse celular”, explicaram.

A OMA1 “é capaz de prevenir doenças crônicas do fígado, incluindo a hiperativação do sistema imunológico, a fibrose hepática e o câncer de fígado”, especificaram, acrescentando que sua perda “desencadeia uma cascata de eventos que começa com estresse oxidativo e lesão dos hepatócitos, e evolui para inflamação persistente, fibrose, esgotamento das células imunológicas e maior incidência de tumores primários do fígado em modelos experimentais”.

Atualmente, estima-se que dois milhões de pessoas morram por ano devido a doenças crônicas do fígado, o que representa 4% da mortalidade mundial. Nesse sentido e na progressão dessa patologia, o envelhecimento é um fator determinante e, sem o tratamento adequado, evolui para cirrose ou câncer com o passar dos anos.

Nesse sentido, os autores, liderados pelo coordenador do Grupo de Genética Funcional do Sistema de Fosforilação Oxidativa do CNIC, José Antonio Enríquez, expuseram que o fígado está continuamente sujeito a agressões decorrentes do metabolismo, da alimentação e do envelhecimento. Quando esses processos se mantêm ao longo do tempo, podem favorecer o surgimento da referida doença hepática crônica, uma das principais causas de cirrose e carcinoma hepatocelular em todo o mundo.

COMPREENDER OS MECANISMOS QUE PRESERVAM A INTEGRIDADE DO TECIDO HEPÁTICO

Por isso, eles afirmaram que o objetivo é compreender os mecanismos que preservam a integridade do tecido hepático; para isso, analisaram, durante o processo de envelhecimento, camundongos geneticamente modificados para não possuírem a proteína OMA1. “Embora esses animais atingissem a idade adulta sem alterações aparentes, com o passar do tempo desenvolviam lesões hepáticas progressivas, fibrose e uma incidência significativamente maior de tumores primários do fígado, acompanhadas de uma redução na sobrevida”, explicaram.

Dessa forma, constatou-se que as alterações surgem muito antes do desenvolvimento dos tumores. “Desde tenra idade, os animais apresentam sinais de dano hepático e uma ativação persistente da via celular KEAP1-NRF2, responsável por coordenar a resposta ao estresse oxidativo”, observaram, acrescentando que “embora essa via constitua um mecanismo protetor contra agressões celulares, sua ativação prolongada acaba se associando a lesão tecidual e favorece a progressão da doença hepática”.

“Uma das principais descobertas do estudo é a relação entre o metabolismo mitocondrial e a vigilância imunológica”, destacaram os especialistas, que observaram que “a ausência de OMA1 altera a capacidade dos hepatócitos de interagir com o sistema imunológico, aumentando a chamada imunogenicidade do fígado”. “Como consequência, os linfócitos T são ativados de forma persistente até atingirem um estado de esgotamento funcional, caracterizado pela perda progressiva de sua capacidade de eliminar células anômalas ou potencialmente tumorais”, destacaram.

Além disso, afirmaram que “esse fenômeno se origina nos próprios hepatócitos e não em um defeito intrínseco das células imunológicas”. Por meio de modelos experimentais com eliminação específica da OMA1 apenas nas células hepáticas, a equipe confirmou que essa alteração é suficiente para desencadear estresse oxidativo, morte celular e esgotamento dos linfócitos T, reproduzindo as principais características observadas em animais com ausência total da proteína.

Por fim, e após afirmar que “a redução experimental do estresse oxidativo nos hepatócitos diminui a indução do esgotamento dos linfócitos T em culturas celulares”, eles destacaram que essa pesquisa “tem implicações para o desenvolvimento de novas terapias”. “A OMA1 é considerada um possível alvo farmacológico em diversas patologias relacionadas à função mitocondrial”, concluíram.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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