Publicado 29/05/2025 08:58

Pesquisadores do CNIC descobrem que o coração é formado por dois tipos de células independentes

Archivo - Arquivo - Equipe do CNIC revela como o coração é organizado desde os primeiros estágios do desenvolvimento embrionário
CNIC - Arquivo

MADRID 29 maio (EUROPA PRESS) -

Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisas Cardiovasculares da Espanha (CNIC) descobriram que o coração é formado por dois tipos de células independentes que atuam de forma sincronizada desde o início da gastrulação. Essa descoberta pode contribuir para uma melhor compreensão da origem de certas doenças cardíacas congênitas e abrir novos caminhos no campo da medicina regenerativa e da bioengenharia de tecidos.

Um estudo, publicado na revista Developmental Cell, revela novos detalhes sobre a formação do coração nos estágios iniciais do desenvolvimento embrionário. Essa descoberta tem implicações importantes, diz Miguel Torres, chefe do Grupo de Controle Genético do Desenvolvimento e Regeneração de Órgãos do CNIC e principal autor do estudo, juntamente com Miquel Sendra.

Por um lado, eles apontam, "isso nos permite entender melhor como o coração é estruturado em seus estágios iniciais, o que poderia ajudar a identificar a origem de algumas malformações cardíacas congênitas. Também abre novos caminhos para a medicina regenerativa e a bioengenharia de tecidos.

Até agora, pensava-se que tanto os cardiomiócitos - células que formam o músculo cardíaco - quanto as células endoteliais endocárdicas - que revestem o interior do órgão - eram derivados de um único grupo precursor. Entretanto, esse trabalho, realizado por meio de cultura artificial de embriões de camundongo e usando técnicas avançadas de microscopia e rastreamento de células, revela que ambos os tipos de células têm origens diferentes dentro da mesoderme, uma das camadas germinativas do embrião.

Apesar de se desenvolverem separadamente, essas células entram no embrião simultaneamente e migram de forma coordenada para a região onde o tubo cardíaco primitivo começará a se formar. De acordo com os pesquisadores, esse comportamento sincronizado sugere a existência de mecanismos organizacionais muito precisos em estágios em que as estruturas visíveis mal se formaram.

Além disso, os cientistas observaram que essas células, embora destinadas a formar o coração, também têm a capacidade de contribuir para o desenvolvimento de outros órgãos, o que reforça sua versatilidade e relevância na formação do organismo.

Tanto Miguel Torres quanto Miquel Sendra, autores principais do estudo, destacam que esse avanço foi possível graças à ciência básica, que busca entender o desconhecido sem uma aplicação imediata. "É importante enfatizar a necessidade de apoiar esse tipo de pesquisa, baseada na intuição, perseverança e liberdade criativa, como um motor fundamental do progresso científico", afirmam.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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