MONKEYBUSINESSIMAGES/ ISTOCK - Arquivo
MADRID 24 jun. (EUROPA PRESS) -
Um comitê multidisciplinar de especialistas, com a colaboração da empresa biofarmacêutica AbbVie e do Centro de Pesquisa Biomédica em Rede (CIBER) do Instituto de Saúde Carlos III, busca desenvolver um modelo de atendimento de excelência, equitativo e adaptado às necessidades das pessoas afetadas pela doença de Parkinson em fase avançada, de modo a melhorar o processo de atendimento à doença.
Um dos coordenadores deste projeto, neurologista do Hospital Universitário 12 de Outubro de Madri e coordenador do Grupo de Estudo de Distúrbios do Movimento, o Dr. Álvaro Sánchez Ferro, lembra que “a doença de Parkinson representa um desafio monumental para o nosso sistema de saúde, não apenas por seu crescimento acelerado, mas porque a fase avançada acarreta uma enorme complexidade clínica, assistencial e social que ultrapassa os recursos atuais”.
Por isso, ele destaca que “esta iniciativa surge com a firme intenção de não se limitar a um mero livro branco, mas de definir um modelo de atendimento ideal e realista que priorize as áreas de melhoria ainda não atendidas, propõe intervenções prioritárias e indicadores claros para garantir um atendimento de qualidade e adaptado às necessidades reais das pessoas afetadas e de suas famílias”.
O objetivo central deste projeto é definir o modelo de assistência ideal para o paciente com Parkinson em estágio avançado, antecipando-se às necessidades atuais e futuras. Para isso, a iniciativa prioriza as áreas de melhoria com base em projeções de prevalência, propõe intervenções concretas e indicadores de acompanhamento (como critérios padronizados de encaminhamento ou treinamento direcionado), avalia o impacto quantitativo e qualitativo dessas ações no sistema de saúde e desenvolve ferramentas de valor replicáveis em todos os níveis organizacionais.
Atualmente, apenas 25% das unidades de neurologia dos hospitais públicos contam com enfermagem especializada, embora o papel dessa disciplina seja determinante para o acompanhamento clínico e a qualidade de vida das pessoas afetadas.
A esse respeito, o coordenador da iniciativa, na qualidade de responsável pelo projeto pelo CIBER e chefe da Seção de Neurologia do Hospital Universitário Donostia, em San Sebastián, o Dr. Javier Ruiz, afirma que “a escassez de enfermeiros especializados é um dos grandes obstáculos do modelo atual, uma vez que essa disciplina atua como o elo integrador entre a pessoa afetada e seu entorno próximo”.
Além disso, acrescenta ele, “as barreiras no diagnóstico e na gestão do atendimento provocam atrasos significativos no tratamento das pessoas afetadas, um subdiagnóstico acentuado nas fases iniciais e falta de acesso a especialistas. A isso se soma a ausência de circuitos de encaminhamento padronizados e a insuficiência de unidades especializadas em distúrbios do movimento diante da alta demanda por atendimento”.
OBJETIVO: PROJETAR CIRCUITOS DE ENCAMINHAMENTO PADRONIZADOS
O objetivo principal desta iniciativa multidisciplinar é projetar circuitos de encaminhamento padronizados e ágeis entre a atenção primária, os consultórios gerais e as unidades de distúrbios do movimento. E, para isso, é preciso dotar os profissionais de ferramentas padronizadas que aproximem o padrão de excelência de qualquer região geográfica, garantindo equidade e coesão no atendimento ao Parkinson avançado em todo o país.
“A doença de Parkinson em estágio avançado não pode ser tratada de forma isolada, a partir de um único consultório. Contar com um grupo de trabalho tão diversificado nos permite dotar nosso sistema de saúde de uma estrutura de atendimento robusta que não apenas melhore os resultados clínicos, mas também humanize o cuidado e devolva a qualidade de vida e a autonomia às pessoas afetadas em seu dia a dia”, segundo o Dr. Sánchez Ferro.
Essa iniciativa baseia-se em uma abordagem multidisciplinar única que incorporará neurologistas, gestores de saúde, equipe de enfermagem, farmácia hospitalar, Atenção Primária e associações de pacientes. Esses agentes participarão ativamente da concepção e atuarão como embaixadores estratégicos da iniciativa para garantir sua futura implementação.
Seu desenvolvimento será estruturado de forma colaborativa em cinco fases de trabalho. Após uma primeira fase de análise de necessidades por meio de revisões bibliográficas e pesquisas com especialistas, serão realizados três workshops multidisciplinares entre os meses de junho e outubro. Esses encontros servirão para definir ações de melhoria, identificar indicadores de acompanhamento e elaborar um mapa de impacto clínico, assistencial, econômico e social.
Uma vez consensualizado o roteiro com o aval de sociedades científicas e associações de pessoas com Parkinson, o projeto contemplará uma fase de implementação e teste piloto das propostas em diversos centros da Espanha. Por meio de um questionário de autoavaliação, cada centro elaborará um plano de ação adaptado aos seus recursos, utilizando modelos de implementação e contando com uma linha de suporte técnico para o acompanhamento dos indicadores, garantindo assim uma mudança real e sustentável na assistência à saúde.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático