Publicado 11/11/2025 09:41

Pesquisadores desenvolvem método para fabricar vidro a partir de materiais metal-orgânicos

León e Mínguez
UV

VALÈNCIA 11 nov. (EUROPA PRESS) -

Pesquisadores do Instituto de Ciências Moleculares (ICMol) da Universidade de Valência (UV) desenvolveram um método "pioneiro" para fabricar vidro a partir de materiais metal-orgânicos (MOF), "de forma simples e ecológica", informou a instituição em um comunicado.

"Esse avanço abre novas possibilidades para o uso de MOFs em áreas como eletrônica, energia limpa e tecnologias avançadas", acrescentou. O estudo foi publicado na revista Nature Communications.

Os vidros baseados em materiais metal-orgânicos (MOFs) são uma nova classe de materiais que combinam as propriedades funcionais dos MOFs - compostos dignos do Prêmio Nobel de Química de 2025 - com a estrutura amorfa e processável do vidro, "representando um campo inovador na ciência dos materiais", explicaram.

Até agora, a criação de certos vidros usados em tecnologia avançada exigia uma etapa intermediária complicada: começar com estruturas cristalinas e depois derretê-las e resfriá-las. Mas uma equipe científica internacional, liderada pela UV, encontrou uma maneira muito mais direta. Usando o próprio composto orgânico como meio de reação e eliminando as condições mais agressivas do método tradicional, eles conseguiram sintetizar um novo tipo de vidro transparente e versátil, sem passar pelo vidro.

Esse novo método possibilita trabalhar com metais que são particularmente difíceis de manusear, como o ferro, e resulta em materiais que são puros e resistentes à degradação. Os pesquisadores batizaram esses materiais de dg-MUV-29 e demonstraram que podem adaptar sua composição incorporando diferentes moléculas, o que multiplica seu potencial.

"Nossa abordagem não apenas simplifica a síntese, mas também abre as portas para o trabalho com metais que antes eram inviáveis, como o ferro. Isso amplia consideravelmente a gama de materiais funcionais disponíveis, pois nos permite explorar composições que antes eram inacessíveis", explica Guillermo Mínguez, chefe do grupo do Crystal Engineering Lab (CEL) do ICMol e pesquisador principal do projeto.

"Esses novos vidros têm propriedades magnéticas e ópticas excepcionais, o que os torna candidatos ideais para aplicações de ponta em eletrônica, sensores inteligentes ou tecnologias de energia sustentável", acrescentou o cientista.

O que é realmente inovador é que esse processo limpo permite que as propriedades magnéticas desses materiais sejam estudadas em detalhes, algo que até agora era extremamente complexo. Além disso, a equipe conseguiu desenvolver e integrar esses vidros moleculares em dispositivos optoeletrônicos, abrindo caminho para sua futura aplicação em sistemas eletrônicos avançados, sensores inteligentes e tecnologias de energia sustentável.

"A possibilidade de fabricar esses vidros diretamente e usá-los em dispositivos reais representa uma mudança de paradigma no projeto de materiais funcionais", disse Luis León, primeiro autor do estudo. "Essa abordagem não apenas facilita sua produção, mas também demonstra sua viabilidade tecnológica, abrindo novas rotas para o desenvolvimento de materiais ópticos e magnéticos de alto desempenho.

A descoberta, de acordo com o artigo publicado na Nature Communications, abre as portas para uma nova geração de óculos inteligentes que podem transformar a maneira como armazenamos energia, projetamos novos dispositivos eletrônicos ou fabricamos sensores extremamente sensíveis.

Além da UV, estão participando do trabalho o Institut Laue-Langevin em Grenoble (França), o Rutherford Appelton Laboratory em Oxfordshire (Reino Unido), a University of Nottingham (Reino Unido) e a Universidade de Lisboa.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contenido patrocinado