Publicado 21/08/2025 07:29

Pesquisadores descobrem que o mapa corporal do cérebro permanece intacto após a amputação

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GUGURAT/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 21 ago. (EUROPA PRESS) -

Uma equipe de pesquisadores do National Institutes of Health (EUA) e da Universidade de Cambridge (Reino Unido) descobriu que o mapa corporal do cérebro permanece intacto após a amputação de um membro, ao contrário da crença anterior de que o cérebro se reorganiza para compensar a perda.

O estudo, publicado na revista Nature Neuroscience, tem implicações tanto para o tratamento da dor do "membro fantasma" quanto para facilitar o controle de próteses robóticas, depois de comparar a atividade cerebral de três pessoas que tiveram a mão amputada, antes e depois do procedimento.

Esses mapas são responsáveis pelo processamento de informações sensoriais, como toque, temperatura e dor, bem como a posição do corpo, e se você tocar algo quente com a mão, uma região específica do cérebro é ativada; se você bater o dedo do pé, outra região é ativada.

"Devido ao nosso trabalho anterior, suspeitávamos que os mapas cerebrais permaneceriam em grande parte inalterados, mas a extensão em que o mapa do membro ausente permaneceu intacto foi surpreendente (...) Considerando que o córtex somatossensorial é responsável por interpretar o que está acontecendo dentro do corpo, parece surpreendente que ele não pareça saber que a mão não está mais lá", disse um dos principais autores do estudo e professor da Universidade de Cambridge, Tamar Makin.

Durante a pesquisa, os exames cerebrais foram usados para construir mapas da mão e dos lábios de cada indivíduo, já que nesses mapas os lábios são colocados perto da mão. Após examinar os mapas antes e depois da amputação, os cientistas descobriram que a região cerebral correspondente era ativada de forma quase idêntica.

NENHUMA EVIDÊNCIA DE REORGANIZAÇÃO DO MAPA CORPORAL DO CÉREBRO

Os cientistas reconheceram que, se não soubessem quando os dados haviam sido coletados, não teriam conseguido distinguir entre os dois mapas. Em contrapartida, um algoritmo de aprendizado de máquina não teve "nenhum problema" em distinguir qual dedo fantasma estava se movendo antes e depois da amputação.

"Não observamos nenhuma indicação da reorganização que supostamente ocorre de acordo com o pensamento clássico. Os mapas cerebrais permaneceram estáticos e inalterados", disse o primeiro autor do estudo e pesquisador da Universidade de Pittsburgh (EUA), Hunter Schone.

Esse é o primeiro estudo a analisar os mapas das mãos e dos rostos de indivíduos antes e depois da amputação. Os trabalhos anteriores baseavam-se exclusivamente na análise pós-amputação, razão pela qual se acreditava que, após a amputação de um membro, as regiões vizinhas se reorganizavam e ocupavam a área anteriormente atribuída ao membro ausente.

Como esse não é o caso, pode-se explicar por que a maioria dos amputados relata sensações como dor ou coceira nos membros que não estão mais no lugar.

"As partes restantes dos nervos, ainda dentro do coto, não estão mais conectadas aos seus receptores terminais. Elas estão completamente desconectadas dos receptores sensoriais que transmitiam sinais constantes a elas. Sem um receptor terminal, os nervos podem continuar a crescer, formando um espessamento do tecido nervoso e enviando sinais confusos para o cérebro", disse Schone.

Além disso, os pesquisadores concluíram que os limites dos mapas cerebrais não são bem definidos e que cada zona não está confinada exclusivamente a uma única parte do corpo.

Para complementar as descobertas, eles compararam esses resultados com 26 participantes que haviam sofrido amputações de membros superiores em uma média de 23,5 anos antes, mostrando representações semelhantes às dos três indivíduos estudados, sugerindo estabilidade a longo prazo das representações dos membros amputados.

DESCOBERTAS PROMISSORAS PARA TERAPIAS

O Dr. Schone enfatizou que essas descobertas possibilitarão que novas tecnologias avancem no sentido de acessar detalhes "mais finos" do mapa da mão, como distinguir a ponta do dedo da base, bem como restaurar aspectos qualitativos e complexos da sensação, como textura, forma e temperatura.

"Este estudo é um poderoso lembrete de que, mesmo após a perda de um membro, o cérebro se agarra ao corpo, esperando que nos reconectemos (...) As terapias mais promissoras envolvem repensar como a cirurgia de amputação é realmente realizada, por exemplo, enxertando os nervos em um novo músculo ou pele, para que eles tenham um novo lugar para se fixar", acrescentou.

De fato, dos três participantes, um tinha uma dor considerável no membro antes da amputação, mas foi submetido a um procedimento complexo para enxertar os nervos em um novo músculo ou pele, e agora não sente mais dor. Os outros dois participantes receberam tratamento padrão e continuam a sentir dor no membro fantasma.

"Se o cérebro fosse religado após a amputação, essas tecnologias falhariam. Se a área que antes controlava a mão agora fosse responsável pelo rosto, esses implantes simplesmente não funcionariam. Nossas descobertas oferecem uma oportunidade real de desenvolver essas tecnologias agora", disse Chris Baker, coautor do estudo e membro do National Institutes of Health.

DECIFRANDO OU REDEFININDO A REORGANIZAÇÃO CORTICAL

Juan de los Reyes Aguilar, chefe do Grupo de Neurofisiologia Experimental da Unidade de Pesquisa do Hospital Nacional de Parapléjicos, explicou em declarações enviadas pela SMC España que esse trabalho pode contribuir para decifrar "e até mesmo redefinir" a complexidade do fenômeno da reorganização cortical.

"Dados os dados sobre a percepção da dor mostrados no artigo, pode-se argumentar que o conceito de reorganização cortical após amputação ou lesão da medula espinhal é um pouco mais complexo do que o que está atualmente na literatura, que se reduz a uma expansão da área cortical ativada, e poderia se concentrar em alterações na percepção sensorial", explicou De los Reyes, membro do Serviço de Saúde de Castilla La Mancha (SESCAM), do Instituto de Pesquisa em Saúde de Castilla La Mancha (IDISCAM) e da Sociedade Espanhola de Neurociências (SENC).

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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