Publicado 14/08/2025 08:12

Pesquisadores descobrem gene-chave que controla o desenvolvimento de células envolvidas na memória e no aprendizado

Região do cérebro onde novos neurônios são gerados (azul) ao longo da vida.
C. MEDINA - CSIC

MADRID 14 ago. (EUROPA PRESS) -

Uma pesquisa realizada no Centro de Neurociências Cajal-CSIC, em Madri, descobriu um novo mecanismo (o gene "Sox5") que controla como as células-tronco neurais adultas são geradas durante o desenvolvimento do giro dentado, uma região do hipocampo envolvida na memória e no aprendizado.

O estudo, liderado pelo chefe do Laboratório de Controle Molecular da Neurogênese, Dr. Aixa Morales, foi realizado em camundongos e se concentra nessas células neurais que permanecem em um estado de repouso conhecido como quiescência, no qual não são células maduras e não se dividem para gerar neurônios, mas podem ser ativadas quando necessário. Essa estratégia "quiescente" garante que elas não se esgotem prematuramente.

O que não era bem conhecido até agora era quais mecanismos garantem que sua entrada em quiescência seja correta e reversível. Assim, esse trabalho mostra que o gene 'Sox5' é "crucial" para estabelecer esse estado quiescente de forma equilibrada, dizem os autores. Estudos anteriores mostraram que o Sox5 é importante para a neurogênese adulta, e agora essa pesquisa mostra que ele também é necessário para a formação das próprias células-tronco neurais durante o desenvolvimento do giro dentado.

Os resultados do estudo publicado na PLOS Biology também revelam que a via de sinalização BMP (Proteínas Morfogenéticas Ósseas), que é fundamental para o desenvolvimento embrionário, é superativada quando o "Sox5" está ausente. A via BMP promove a quiescência e, na ausência do Sox5, ela é desregulada, impedindo o equilíbrio necessário entre a quiescência e a ativação das células-tronco.

"Ao inibir essa via com pequenas moléculas injetadas em camundongos sem 'Sox5', conseguimos reverter algumas das alterações causadas pela perda desse gene nas células-tronco neurais", explica Paula Tirado, pesquisadora do Centro de Neurociências Cajal e coautora do estudo. Essa descoberta abre as portas para possíveis estratégias terapêuticas destinadas a modular a via da BMP em contextos de perda neuronal, como o envelhecimento ou doenças neurodegenerativas.

Outra descoberta relevante é a identificação de uma janela de tempo "crítica" durante a segunda semana após o nascimento, na qual o equilíbrio certo é estabelecido entre dois estados de repouso das células-tronco neurais: um estado profundo que as mantém inativas por longos períodos e outro superficial, no qual elas estão mais próximas da ativação.

Durante essa janela de tempo, o Sox5 limita a entrada de células-tronco neurais no estado de repouso superficial, o que é essencial para evitar uma superprodução transitória de neurônios na juventude, o que poderia esgotar o pool de células-tronco e, assim, reduzir a capacidade regenerativa do cérebro na idade adulta, observam os autores.

Além disso, em humanos, as mutações no gene SOX5 estão ligadas à síndrome de Lamb-Shaffer, uma doença rara que se manifesta com distúrbios de linguagem, deficiência cognitiva e traços do espectro do autismo. Esse novo trabalho fornece uma estrutura para aprofundar os mecanismos celulares alterados nesses pacientes e explorar futuras abordagens de tratamento, observa o estudo.

Ele também mostra a importância de desvendar as pistas genéticas que promovem a neurogênese adulta durante o desenvolvimento e abre a porta para a criação de estratégias para ativar células-tronco neurais em situações de perda neuronal, como ocorre em doenças neurodegenerativas, conclui.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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