Publicado 17/03/2025 08:03

Pesquisadores descobrem que duas formas da mesma família de proteínas afetam o aprendizado e a memória de maneiras opostas

Expressão de H-Ras em um neurônio do hipocampo
J.A. ESTEBAN

MADRID 17 mar. (EUROPA PRESS) -

Uma equipe de pesquisadores do Centro de Biología Molecular Severo Ochoa (CBM-CSIC-UAM) e do Instituto de Salud Carlos III (ISCIII) revelou que diferentes isoformas da proteína Ras desempenham funções específicas nas sinapses neuronais: Enquanto a ativação da H-Ras leva à depressão sináptica (enfraquece as conexões neuronais), a K-Ras é essencial para a potenciação sináptica (fortalece as conexões neuronais), sugerindo um papel mais complexo da Ras na plasticidade cerebral do que o considerado anteriormente.

De acordo com os pesquisadores, a proteína Ras é amplamente conhecida na pesquisa do câncer por sua capacidade de promover o crescimento do tumor quando ativada de forma descontrolada. De fato, José Antonio Esteban, pesquisador do CBM e um dos dois principais autores do artigo, ressalta que "a Ras foi descoberta como um oncogene na década de 1980 por dois dos colaboradores desse estudo, Eugenio Santos e Mariano Barbacid".

Em seu estado normal, o Ras é essencial para o desenvolvimento embrionário e o crescimento celular controlado. Entretanto, no cérebro adulto, onde os neurônios não se dividem mais, Ras continua a desempenhar um papel fundamental na plasticidade sináptica, o processo pelo qual os neurônios modificam suas conexões de acordo com a atividade que recebem.

No início dos anos 2000, descobriu-se que a Ras é necessária para a potenciação sináptica, um mecanismo que fortalece as sinapses e é crucial para o aprendizado e a memória. Nesse novo estudo, Esperanza López se propôs, no laboratório do Dr. Esteban, a determinar se a Ras também está envolvida na depressão sináptica, que enfraquece as conexões neuronais e está associada à flexibilidade cognitiva e a distúrbios como o autismo.

NOVOS CAMINHOS PARA COMPREENDER A FUNÇÃO DE RAS

Usando técnicas de eletrofisiologia e modelos de camundongos geneticamente modificados, os pesquisadores confirmaram que a Ras é necessária para a depressão sináptica e que sua exclusão leva a dificuldades de aprendizagem em camundongos. Entretanto, a descoberta mais surpreendente foi a especialização funcional de suas isoformas: a K-Ras é responsável pela potenciação sináptica, enquanto a H-Ras induz à depressão sináptica. Além disso, descobriu-se que ambas as isoformas são distribuídas de forma diferente dentro dos neurônios.

Essa descoberta é relevante não apenas para a neurociência, mas também para a pesquisa das chamadas rasopatias, um grupo de doenças do desenvolvimento causadas por alterações nos genes relacionados a Ras. "Esse estudo abre novos caminhos para a compreensão da função de Ras no cérebro e seu possível envolvimento em diferentes patologias", conclui o coautor principal e pesquisador do ISCIII, Víctor Briz.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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